Manifestantes gritaram "gatunos" à saída dos conselheiros

(ATUALIZADA) Cinco pessoas foram detidas na manifestação frente à Presidência da República, quatro por arremesso de petardos e um por resistência às autoridades. O Conselho de Estado acabou por volta da uma da manhã, com os conselheiros a saírem todos ao mesmo tempo, de carro.

(Notícia atualizada às 11.00)

Os cinco detidos durante os protestos foram libertados na madrugada de hoje e serão presentes a tribunal a partir das 10:00 de segunda-feira, disse à Lusa fonte da PSP.

O oficial de dia da PSP adiantou à Lusa que os cinco detidos - quatro por arremesso de petardos e outro por resistência e coação - foram levados para a 4.ª Divisão da PSP e libertados após a elaboração dos autos.

O Conselho de Estado começou pelas 17.15. Quase oito horas depois, ouviram-se, nas ruas, assobios e gritos de "gatunos" quando os conselheiros saíram de carro. O trânsito em torno do Palácio de Belém foi reaberto por volta das 1.30, quando já se encontravam poucos manifestantes no local.

A polícia de intervenção presente no local foi ao início da noite reforçada com vários elementos, numa altura em que o ambiente ficava mais tenso, tendo mesmo sido arremessadas garrafas contra os agentes. Foi por volta das 22.00 que a situação se mostrou mais tensa.

Durante a tarde, à chegada dos Conselheiros de Estado, os manifestantes gritaram palavras de ordem de cada vez que um carro entrava na residência oficial do Presidente. "Cavaco escuta, o povo está em luta", diziam.

As pessoas aproveitaram o protesto não só para mostrar o seu descontentamento com cartazes, mas também cantando várias canções de intervenção, entre as quais o "Acordai", de Fernando Lopes Graça com poema de José Gomes Ferreira, a "Internacional" e a "Grândola Vila Morena", de Zeca Afonso.

A reunião do Conselho de Estado, no qual participou a título extraordinário o ministro das finanças, Vítor Gaspar, teve como tema central as reformas da TSU anunciadas pelo primeiro-ministro e pelo titular da pasta das Finanças nas últimas duas semanas.

"Exigimos uma outra solução para o país, um outro governo de legitimidade popular. É necessária a demissão deste país que já demonstrou incapacidade", afirmou à SIC Frederico Aleixo, organizador da manifestação "Que se lixe a troika!" que marchou por Lisboa no sábado passado.

"Faço parte de uma geração e fomos mandámos para uma guerra sem retorno onde nos portámos com heroismo. Agora o que sonhámos para os nossos netos foi-nos tirado. Sinto-me traído", afirmou um militar na manifestação à SIC. Também estudantes trajados a rigor se reúnem em frente ao Palácio.

Em declarações aos jornalistas, o deputado comunista Miguel Tiago frisou que "este Governo não tem condições para continuar e que o Presidente da República que jurou cumprir a constituição devia ter isso em conta". Mas para o PCP, Cavaco Silva "está comprometido com outros interesses que não os do povo, de contrário já teria usado os seus poderes para travar esta política desastrosa e destruidora".

Já a deputada bloquista Catarina Martins considerou que a manifestação "mostra a democracia a funcionar" e sublinhou que Cavaco deve ouvir o povo, que pretende a demissão de um Governo "sem capacidade, legitimidade e autoridade".

"Todos os agentes e grupos sociais devem demonstrar abertura para encontrar soluções para a situação do país. Tenho esperança que através do diálogo construtivo consigamos ultrapassar as atuais dificuldades, tendo presente o acordo internacional que não podemos deixar de cumprir mas tendo em conta o interesse das famílias, das empresas e pessoas em geral. E por isso irei ouvir com atenção os conselheiros esta tarde", afirmou ontem de manhã o Presidente da República.

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