Louçã:Governo deve explicações sobre "derrapagem" que vai obrigar a novos impostos

O líder do BE defendeu hoje que o primeiro-ministro e ministro das Finanças devem explicações ao país sobre "a derrapagem" da execução orçamental causada pela "austeridade sucessiva" que vai obrigar a "novo aumento de impostos" no próximo Orçamento.

"Não era preciso ser nenhum sábio para perceber que a austeridade só podia provocar derrapagem, por isso se o Governo quer continuar a austeridade e tomar novas medidas e novos aumentos de impostos, porque é isso que vem no próximo Orçamento, então já percebemos o que é que esta receita dá: Sempre mais derrapagem", afirmou Francisco Louçã.

O coordenador bloquista, que falava aos jornalistas no Parlamento sobre as declarações de Vítor Gaspar sobre os dados da execução orçamental que são conhecidos hoje considerou ser "significativo que ontem, num dia tão especial, o ministro das Finanças tenha decidido antecipar sem dizer os números".

"Portugal merece saber o rigor das contas porque a derrapagem já começou há muito tempo. Já o ministro estava em Washington a dar lições de moral aos portugueses de que eram precisos mais sacrifícios e todos percebíamos que isto estava a derrapar, e está a derrapar nos impostos porque a economia está a ser destruída", declarou.

O ministro das Finanças admitiu quinta-feira, no Luxemburgo, que os dados disponíveis sobre a execução orçamental, que serão apresentados na sexta-feira, traduzem "um aumento significativo nos riscos e incertezas", mas reafirmou o objetivo de cumprir o défice para 2012.

Vítor Gaspar, que falava no final de uma reunião dos ministros das Finanças da zona euro, indicou que "a informação disponível sobre o comportamento das receitas não é positivo", pois "de facto, verificaram-se valores abaixo do esperado para a receita fiscal e para as contribuições para a segurança social".

Louçã acusou também o Governo de se ter transformado "numa gritaria onde cada um diz uma coisa diferente".

"O ministro da Economia, na mesma semana em que sabe que as contas derrapam, vem ao Parlamento dizer que isto está tudo a recuperar", disse, em tom irónico.

"O ministro das Finanças e o primeiro-ministro são os responsáveis pela condução de uma política de austeridade sucessiva, agravada e desastrosa, que provoca um enorme aumento da dívida, uma redução dos impostos porque a economia e a indústria estão paradas", criticou.

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