Emergência económica levou a ditaduras como a de Salazar

O autor de um livro sobre os primeiros anos do regime de Salazar, Jorge Pais de Sousa, recordou hoje que, no século XX, as crises económicas conduziram "muitas vezes" à instauração de ditaduras na Europa e no mundo.

"O estado de exceção e o estado de emergência económica justificaram, muitas vezes, o fim da ordem democrática e do estado de direito", declarou Jorge Pais de Sousa à agência Lusa, no final da apresentação do livro "O Fascismo Catedrático de Salazar".

Editada pela Imprensa da Universidade de Coimbra, a obra foi apresentada em Coimbra pelo historiador italiano Alberto De Bernardi, professor da Universidade de Bolonha.

"Procurei encontrar um fio condutor e perceber que transformações políticas levaram à ditadura militar, ou à situação de emergência económica -- uma situação que nós hoje estamos a viver -- e que justificaram medidas excecionais", disse o autor.

Por seu turno, Alberto De Bernardi lembrou, na sua dissertação sobre os fascismos da Europa -- com Salazar (Portugal), Franco (Espanha), Mussolini (Itália) e Hitler (Alemanha) -- que estas ditaduras "começaram por ser um ataque à democracia", evoluindo depois para o combate ao comunismo.

No livro "O Fascismo Catedrático de Salazar", Jorge Pais de Sousa, doutorado pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, estuda 25 anos da história de Portugal, desde a I República até ao fim da guerra civil de Espanha, em 1939, passando pela intervenção do país na I Guerra Mundial e pelo período da ditadura militar, implantada em 1926.

"É um olhar transversal à história de Portugal, uma coisa que normalmente não se faz na História Contemporânea", sublinhou o investigador.

No seu livro, Jorge Pais de Sousa analisa, designadamente, as "medidas excecionais que levaram a que, por exemplo, Salazar chegasse ao poder" como ministro das Finanças.

"Impôs ao país a ditadura das finanças e controlou o Exército. Muitos dos seus discípulos da cátedra de Coimbra foram decisivos", no seio das Forças Armadas, para a ascensão de António Salazar e a fundação do Estado Novo, que teve a Constituição de 1933 como lei fundamental.

Mais tarde, recordou Jorge Pais de Sousa, o catedrático de Direito da Universidade de Coimbra salientou ter conseguido "transformar a ditadura militar", instaurada em 28 de Maio de 1926, "numa ditadura de doutores".

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