Cavaco dividiu protagonismo com Maduro em Lima

O Presidente português e o novo Presidente venezuelano estiveram no Palácio do Governo do Peru separados por poucas horas. Nas ruas, os protestos contra Maduro cruzaram-se com a comitiva portuguesa.

A comitiva de Cavaco Silva, que está desde quinta-feira à tarde em visita ao Peru, encontrou a capital do país, Lima, em estado de alerta máximo devido às várias manifestações pró e contra o novo Presidente da Venezuela, Nicólas Maduro.

O Presidente português foi recebido pelo seu homólogo peruano, Ollanta Humala, imediatamente antes deste ter sido o anfitrião de uma importante reunião da Unasur (União de Nações sul americanas), para apoiar e aceitar a eleição de Maduro por escassa vantagem (1,8%) sobre Caprilles e dar o seu voto de confiança ao sucessor de Hugo Chávez.

Cavaco foi recebido no Palácio do Governo do Peru com honras nunca antes concedidas a um chefe do Estado - uma guarda a cavalo semelhante à oferecida por Portugal a Ollanta Humala visitou o nosso país em novembro do ano passado e que este quis retribuir -, estabeleceu três acordos de cooperação entre os dois estados (nas áreas da saúde, educação e saúde) e jantou como presidente peruano, ao mesmo tempo que ao local começavam a chegar os vários líderes da América do Sul.

Quando o Presidente da República e a restante comitiva, incluindo os deputados que o acompanham e que foram recebidos no Parlamento peruano, encontraram nas praças e ruas circundantes vários protestos, 'cacerolazos', em que os manifestantes batem tachos e panelas ao mesmo tempo que gritam as suas palavras de ordem.

Mal deixou Cavaco, Humala foi receber o próprio Nicolás Maduro, que acaba de aterrar em Lima e se deslocou para o Palácio do Governo a conduzir o carro que lhe estava destinado. Na capital peruana estavam também já Dilma Roussef (Brasil), Cristina Kirchner (Argentina), José Mugica (Uruguai), Evo Morales (Bolívia) e Juan Manuel dos Santos (Colômbia).

Já de madrugada, a decisão conjunta da Unasur foi dar um voto de confiança a Maduro, válido por dois anos, com a indicação de que deve governar envolvendo todas as forças políticas venezuelanas. Já noite dentro, os líderes da Unasur, o maior organismo de integração sul-americano, com 12 membros, partiram numa espécie de caravana aérea para Caracas, para a tomada de posse de Maduro.

Todos estes acontecimentos chegaram a colocar em causa a data da cerimónia de entronização do novo Presidente venezuelano. Caso Nicolás Maduro tivesse adiado a posse para amanhã, sábado, Paulo Portas, o ministro dos Negócios Estrangeiros que é agora o representante do Governo na visita de Estado do Presidente, deslocar-se-ia a Caracas. Portas conheceu Maduro na sua primeira visita como ministro deste Governo, ambos na qualidade de Ministros dos Negócios Estrangeiros.

Hoje, Cavaco Silva e Paulo Portas estarão no encerramento do seminário económico Peru-Portugal. Ontem receberam do presidente peruano uma boa notícia: a de que estão a ser dados os passos necessários para pôr fim à dupla tributação fiscal no Peru, para assim incentivar o investimento português. Na economia que mais cresce na América latina (6% no ano passado), Cavaco quis sublinhar que o Peru "faz inveja a toda a UE", falou de Portugal como porta de entrada no mercado europeu, mas também no africano, dadas as boas relações com vários países, entre eles Angola e Moçambique, e pediu apoio ao presidente peruano para que o nosso país se torne membro observador da Aliança do Pacífico.

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