Assunção enganou-se nos custos de trasladação

Parlamento recusou trasladações de dois portugueses em 2012 e 2013 para Panteão, por causa de dinheiro. Agora todos os partidos querem.

Os valores das operações de trasladação para o Panteão Nacional impediram as duas últimas propostas e levaram Assunção Esteves a alertar, ontem, para os "custos mesmo muito elevados", a suportar pelo orçamento do Parlamento.

Sobre estes custos, a presidente da Assembleia da República referiu "centenas de milhares de euros" mas na verdade "enganou-se", segundo admitiu ao DN a sua chefe de gabinete, Noémia Pizarro. A mesma fonte adiantou que Assunção Esteves queria afinal dizer "dezenas de milhares". Assim é: a última trasladação de Aquilino Ribeiro custou ao Parlamento 46 491 euros, em 2008, segundo a súmula da conferência de líderes parlamentares de 13 de março de 2013.

Agora, a presidente da Assembleia da República admite uma "partilha de custos", para que os restos mortais de Eusébio sejam depositados na Igreja de Santa Engrácia. A título pessoal, citada pela Lusa, Assunção Esteves afirmou que "essa possibilidade poderá realizar-se, eventualmente, num médio prazo ou num curto prazo". E acrescentou: "Não excluo que haja essa iniciativa pelas razões evidentes, que todos nós conhecemos, que é a singularidade de Eusébio", remetendo a questão para o Parlamento.

"Não depende de uma iniciativa da presidente nem do poder da presidente, depende do poder dos grupos parlamentares".

Sem fechar portas, como fez o Parlamento, em 2012 e 2013, a Passos Manuel e a Marcos Portugal. Nessas duas ocasiões, o político e o músico, respetivamente, viram negadas as trasladações por a verba não estar prevista no orçamento da Assembleia da República.

O PS deu o primeiro passo, ao entregar ontem de manhã um requerimento assinado pelo seu líder parlamentar, Alberto Martins, a pedir o agendamento "em próxima conferência de líderes" das possíveis "honras do Panteão Nacional e a deposição nele dos seus restos mortais", uma "competência exclusiva da Assembleia da República", como recordou na carta o presidente da bancada socialista.

O consenso para trasladar Eusébio para os "frigoríficos da glória" - como classificou Eduardo Lourenço, quando da trasladação de Amália Rodrigues para o Panteão - parece fazer caminho, apesar das objeções de Assunção Esteves.

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