Arménio Carlos reitera que o ministro se deve demitir se se confirmarem pressões

O secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses-Intersindical Nacional (CGTP-IN), Arménio Carlos, voltou hoje a defender a demissão do ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, caso se confirme que "exerceu pressões sobre jornalistas".

"Se se vier a confirmar que o senhor ministro exerceu pressões sobre jornalistas, pondo em causa a liberdade e autonomia de informação, não lhe resta outro caminho senão assumir as suas responsabilidades e seguir por uma outra via que não aquela que neste momento está a exercer, com as funções que está a exercer no Governo", afirmou Arménio Carlos.

O conselho de redação do Público afirmou, no dia 18, que Miguel Relvas ameaçou queixar-se ao regulador do setor, promover um "blackout" de todos os ministros ao jornal diário e divulgar, na Internet, dados da vida privada de uma jornalista, se fosse publicada uma notícia sobre o caso das secretas.

A notícia pretendia evidenciar "as incongruências" das declarações do ministro no Parlamento sobre o caso das secretas, mas acabou por não ser publicada.

Mais tarde, o Público noticiou que Miguel Relvas pedira, nesse dia, desculpa ao jornal, depois de a direção ter feito um protesto por "uma pressão" do governante sobre a jornalista que acompanha o caso das secretas. O pedido de desculpas terá sido feito no mesmo dia em que o gabinete do ministro refutou a denúncia do conselho de redação do Público.

Após as respetivas audições na Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), na quinta-feira, o ministro reiterou não ter exercido qualquer pressão sobre a jornalista do Público, enquanto a diretora do diário, Bárbara Reis, voltou a afirmar a existência de uma "pressão inaceitável".

No mesmo dia, o presidente da ERC, Carlos Magno, admitiu a possibilidade de voltar a ouvir Miguel Relvas, depois de também ter ouvido a jornalista Maria José Oliveira, a editora de Política do Público, Leonete Botelho, e o conselho de redação do diário.

No final da audição na ERC, Miguel Relvas manifestou-se, em declarações aos jornalistas, disponível para ir ao parlamento, enquanto o PS disse esperar que o PSD recue e viabilize agora a audição do ministro da Comissão de Ética.

Na quarta-feira, a maioria PSD/CDS-PP chumbou os pedidos feitos pelo PS e pelos Verdes para ouvir o ministro e os restantes envolvidos no caso, afirmando preferir aguardar o relatório da ERC, enquanto o presidente do regulador admitiu não ter uma previsão sobre o tempo que irá demorar o processo de averiguações.

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