Macron q.b.

Até que enfim, dirão os franceses. Se contarmos as primárias da direita e da esquerda e somando-as às duas voltas das presidenciais e agora das legislativas, foram oito idas às urnas em apenas sete meses. Talvez por isso a abstenção recorde no domingo dia 11 tenha sido batida ontem, ao atingir quase 57%.

Mesmo que fartos de votar, os franceses têm pelo menos um novo líder, um Emmanuel Macron que emergiu na vida política graças ao presidente François Hollande mas agora encarna a pujança, a determinação e o espírito renovador que o socialista nunca conseguiu mostrar. Eleito por larga margem em maio para a presidência, Macron garantiu um parlamento dominado pelo seu A República em Marcha . Uma maioria absoluta que o conforta na ambição de relançar a França, colocando-o em condições de reconstituir com Angela Merkel o eixo franco-alemão, tão vital para o sucesso da União Europeia.

Mas por muito confortável que tenha sido a vitória do partido criado pelo presidente, é uma vitória q.b. O governo liderado por Édouard Philippe terá de enfrentar uma oposição de direita que evitou ser esmagada pela maré centrista, o que é notável depois de não ter conseguido um candidato na segunda volta das presidenciais e ter perdido o próprio Philippe para o campo macronista. Os socialistas, por seu lado, sofreram uma derrota histórica, mas não a aniquilação. E os chefes de fila dos extremos - Jean-Luc Melenchon na esquerda e Marine Le Pen na direita - conseguiram ser eleitos deputados e vão exibir no Parlamento a força que ganharam nas presidenciais.

É um resultado com pontos positivos: Macron tem margem para liderar, mas razões para manter os pés assentes no chão, tão relativizado pode ser o seu êxito. É como presidente, com uma maioria, que tem de provar que merece a confiança dos franceses e os elogios dos europeístas.

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