Quer ser feliz? Evite Relatórios de Felicidade

Ontem foi o Dia Internacional da Felicidade e por cá não sei se correu bem. O dia sei, foi ontem e talvez tenha sido melhor do que hoje, que vai chover. Mas a dificuldade é mesmo juntar o duplo conceito: internacional e felicidade. Já saiu o Relatório Mundial da Felicidade 2017, essa bizarria de a ONU avaliar o imensurável. Há um ranking de 155 países e um país nórdico em 1.º, a Noruega. Tem petróleo e não tem praias, com as irritantes filas que estas trazem sempre ao domingo. Mas o Iraque, com as mesmas vantagens, está na posição 117. Vá lá perceber-se... A felicidade é eu, certo? Então o melhor é adiantarmos já o nosso lugar na lista: 89, já na pior metade. E não é pela dívida pública, porque a Grécia (87) está resvés mas mais feliz. Porquê a nossa infeliz classificação? Há sete critérios e comecei por um risquinho verde que indicava outro conceito pouco palpável: "generosidade". Pois o risquinho verde do país logo a seguir ao nosso, Bósnia (90), era para aí três vezes maior. Ainda há 20 anos os bósnios andavam a estripar os vizinhos e já nos dão uma abada em coração. O Correio da Manhã é mais lido na ONU do que eu pensava. Depois, reparei que a Argélia, no ranking geral, era 53.ª. Relembro, Portugal (89). Argelinos, bué da frente de nós no Relatório Mundial da Felicidade 2017. Como eu dizia, o género humano é cruel. Aqueles argelinos que correm pelo aeroporto da Portela para entrar em Portugal? É para verem mais infelizes do que eles.

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