Estamos assim do ilhéu às Ramblas

Meio milhão, um milhão, por aí, é muita gente a descer à rua para uma região de 7,5 milhões de habitantes - aconteceu ontem em Barcelona. Mal comparando, seria como um braço do príncipe D. Renato II, o Justo, ter saído pelo molhe a proclamar a independência do Principado do Ilhéu da Pontinha. Um braço faz, por aí, 1/10 do corpo de um homem. Quantidade significativa para uma manifestação, demonstrando, se não a vontade unânime, pelo menos a de uma parte razoável do único habitante do ilhéu, ligado pelo tal molhe ao território opressor da cadeia colonizadora Funchal, Madeira e Portugal. O Sr. Renato Barros quer ser o soberano do ilhéu independente, que ele comprou e pagou (25 mil euros), em 2000. Uma antiguidade e uma legitimidade que dão alguma força à reivindicação, mas que são desnecessárias, pois ele tem argumento maior e definitivo: ele quer. A Catalunha também quer e, por isso, seja - independente será. Ela fará um referendo daqui a semanas e a partir daí é só avisar o antigo senhorio para levar as tralhas estrangeiras, as zarzuelas, o Goya e o arroz à valenciana. Referendos, D. Renato II faz todos os dias e todos são pela independência. Quer, é. Nas saudades de poncha, dá um saltinho ao Funchal. Que interessa o que ontem lembrei e que faz uma nação: a secular comunidade histórica e cultural e de interesses económicos? Uma parte (um braço no ilhéu ou metade de 7,5 milhões de catalães dos 46 milhões de espanhóis) quer, e faz-se.

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