Portugal, novo sócio do México

Nos últimos dois anos, os intercâmbios económicos e os investimentos em particular formam parte do capítulo mais dinâmico da relação bilateral

Portugal está na moda, ganha o Campeonato da Europa (Euro 2016), obtém o primeiro lugar na Eurovisão; são canonizados os pastorinhos de Fátima; portugueses como António Guterres e Cristiano Ronaldo alcançam o auge político e desportivo; o turismo internacional enche as ruas de Lisboa e do Porto, e o presidente Marcelo Rebelo de Sousa é o mais popular desde a Revolução dos Cravos. O país ibérico que iniciou a globalização nos séculos XV e XVI continua a mostrar ao mundo que conhece a fórmula para obter grandes êxitos.

Portugal emerge de um par de sérias crises económicas (2008 e 2011), que nos afetaram a todos, e depois de cumprir pacientemente um severo programa de austeridade volta a ver neste ano um crescimento da sua economia acima de dois pontos percentuais. O comércio externo ocupa um lugar importante nesta recuperação económica, na qual os empresários portugueses jogam um papel central. O espírito empreendedor e a capacidade de inovação permitiram--lhe recuperar, crescer e entrar em novas águas. Saíram à procura de oportunidades e, tal como os seus antepassados, descobriram novos mercados. Desde 2015, o nosso país é um deles. O México passou a ser o segundo mercado mais importante para Portugal na América Latina, logo depois do Brasil. A chegada de empresas portuguesas à República Mexicana multiplicou-se nos últimos dois anos, e o investimento luso foi o que mais cresceu, em termos relativos, de todos os países europeus.

Neste contexto, de 16 a 18 deste mês, o Presidente de Portugal, professor doutor Marcelo Rebelo de Sousa, realizará uma visita de Estado ao México. Trata-se de uma visita particularmente importante, em que as duas nações esperam retomar o diálogo político bilateral, o qual observou uma pausa, e assim ampliar as crescentes relações económicas. Portugal é um sócio natural do México, um aliado atlântico, europeu, ibero-americano e estratégico em África, atributos que só recentemente descobrimos.

Os nossos valores democráticos e a nossa convicção na abertura económica e comercial identificam-nos e, unidos, dão-nos um sólido sustento para encarar de maneira conjunta os desafios mundiais presentes e futuros. São muitas as semelhanças: mexicanos e portugueses crescemos a conviver com o mar, nutrindo constantemente as nossas tradições, orgulhosos da nossa identidade multiétnica, da nossa gastronomia; os portugueses vivem a sua grande herança romana-ibérica e nós as nossas milenares culturas pré-hispânicas; somos povos de escritores, de músicos, de humanistas e de inovadores. O mariachi e o fado foram reconhecidos mundialmente pela UNESCO.

Nos últimos dois anos, os intercâmbios económicos e os investimentos em particular formam parte do capítulo mais dinâmico da relação bilateral. Durante esse período estabeleceram-se no México mais de cem empresas portuguesas, alcançando um total de 162. No que diz respeito ao comércio bilateral, este ainda é modesto. Em 2016 alcançou 588 milhões de dólares, o que representou um crescimento acumulado - desde 1999 - de 152%. Evidentemente, este não corresponde ao potencial que têm os intercâmbios entre o México e Portugal. Temos identificadas oportunidades de negócios em setores como metalomecânica, calçado, alimentar, bebidas alcoólicas, industrias criativas e tecnologias da informação, para mencionar apenas alguns. O nosso objetivo agora é trazer empresas mexicanas para Portugal, e sem dúvida que o novo acordo global com a União Europeia - atualmente em negociação - facilitar-nos-á ainda mais o caminho. Um sinal positivo que reflete claramente o interesse mútuo na atividade de negócios em ambos os países é a calendarização de nove missões empresariais em ambos os sentidos durante 2017. Uma destas missões empresariais, a mais importante, acompanha o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa na sua visita de Estado ao México.

Esta nova relação económica com Portugal influenciou, sem dúvida, o crescimento da comunidade mexicana no país. À minha chegada a Lisboa, em maio de 2015, tínhamos registados 300 cidadãos mexicanos, hoje, dois anos depois, vivem em diversos pontos da geografia portuguesa 540 mexicanos. Também cresceu o turismo de Portugal para o México: em 2016, o fluxo turístico português aumentou 16%, chegando aos 42 mil visitantes. No âmbito multilateral, México e Portugal partilham a sua pertença ibero-americana. A Aliança do Pacífico, em que Portugal é Estado observador, converteu-se também numa prioridade para a diplomacia económica lusa. Ambos são espaços onde é possível ampliar a nossa colaboração. O novo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, é um bom amigo do México.

Devo agregar que Portugal é um dos países da União Europeia com maior índice de utilização de energias renováveis e sede de centros de investigação e desenvolvimento de classe mundial, gerador de conhecimento e importantes avanços científicos e tecnológicos. Procuramos impulsionar maiores intercâmbios e a colaboração entre as instituições de educação superior e os centros de investigação científica dos dois países.

Portugal é um país moderno, que avança com firmeza para a consolidação de uma economia cada vez mais competitiva. Interessa-nos desenvolver todo o potencial de colaboração e intercâmbios que se prendem com o progresso das nossas economias. Portugal é um novo sócio estratégico para o México. O novo cenário internacional indica-nos a importância de ampliar e fortalecer a presença do México na Europa, assim como ter uma maior vinculação económica e comercial com o mercado português.

Por tudo isto, a visita de Estado ao México do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa assume uma importância particular. Com a sua presença no México relançamos uma relação e fortalecemos a grande empatia e apreço que existe entre o povo português e o povo mexicano. Reconhecemos Portugal como um grande aliado e como novo sócio estratégico. Bem-vindo ao México, Sr. Presidente!

Embaixador do México em Portugal

Dos convidados

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