Gastronomia sustentável

As Nações Unidas, em 2016, aprovaram a criação do Dia da Gastronomia Sustentável, que se celebra hoje pela primeira vez, tendo em conta a resolução de setembro de 2015 "Transformar o nosso mundo: a Agenda 2030 para um mundo sustentável". É assim entendida a gastronomia como "uma expressão cultural relacionada com a diversidade natural e cultural do mundo". Este entendimento pretende reafirmar que todas as culturas e civilizações são contribuidores e facilitadores cruciais para o desenvolvimento sustentável. Para a promoção do desenvolvimento sustentável, as Nações Unidas desenvolveram 17 objetivos centrados nas três dimensões da sustentabilidade: económica, social e ambiental.

A alimentação sustentável contribui para a segurança alimentar e nutricional, tem um impacto ambiental baixo e promove uma vida saudável nas gerações presentes e futuras. Assim, uma alimentação com uma ingestão moderada de produtos de origem animal e que privilegie a ingestão de alimentos de origem vegetal proporciona benefícios ecológicos e para a saúde. Exemplo de uma alimentação sustentável é a dieta mediterrânica, uma vez que promove, por um lado, a ingestão de alimentos de origem vegetal, nomeadamente produtos hortícolas, fruta fresca e frutos oleaginosos, leguminosas, cereais integrais e, por outro lado, a presença de alimentos de origem animal é moderada, elege como gordura de adição o azeite e a presença do vinho tinto ocorre associada à refeição, para indivíduos adultos saudáveis. Outro fator importante da dieta mediterrânica é a promoção de produtos alimentares locais, que deverão ser consumidos de acordo com a sua sazonalidade e confecionados de forma tradicional e simples, utilizando ervas aromáticas e especiarias em detrimento do sal.

Assim, a gastronomia sustentável poderá integrar-se nas dimensões económica, social e ambiental da sustentabilidade, uma vez que promove o desenvolvimento agrícola, a segurança alimentar (food security), a alimentação saudável, a produção sustentável de alimentos e a conservação da biodiversidade.

Umas das principais preocupações da gastronomia sustentável, aliada a processos de confeção simples, reside na seleção das matérias-primas, contribuindo assim para a conservação da biodiversidade. Neste sentido, é importante: 1) utilizar produtos locais e da época - além de diminuir o efeito de estufa dos alimentos, promove-se a agricultura local e a qualidade de vida; 2) utilizar espécies que não se encontrem em vias de extinção - promovendo a biodiversidade e evitando a caça ilegal destas espécies; 3) optar por produtos provenientes do modo de produção biológica - evitando-se, assim, a contaminação excessiva por pesticidas, herbicidas e outros produtos tóxicos, nos solos e nos alimentos; 4) evitar o desperdício de alimentos - utilizando todas as partes comestíveis do alimento promove-se a utilização completa de todos os nutrientes; 5) utilizar métodos de confeção que sejam simples, por exemplo, estufados, ensopados e as caldeiradas.

É por isso possível ter uma alimentação equilibrada promovendo uma gastronomia sustentável, bastando olhar para as nossas raízes e integrar verdadeiramente a dieta mediterrânica no nosso dia-a-dia.

Bastonária da Ordem dos Nutricionistas

Dos convidados

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