Sem ter medo dos refugiados

Enrico Letta diz na entrevista que publicamos nesta edição que a crise dos refugiados está para durar décadas, acha inadmissível a recusa de alguns países do Leste em aceitar estrangeiros, elogia Portugal pelo modo como tem sido solidário, tem enormes esperanças em António Guterres à frente da ONU para lidar com o drama e relembra que a grande maioria dos migrantes dos últimos tempos vêm do Afeganistão, do Iraque e da Síria, três países em guerra e com culpas atribuíveis ao Ocidente.

Em conversa com o DN, depois de ter participado na Gulbenkian numa conferência internacional sobre refugiados, o agora académico em França mostrou que, apesar da sua saída de primeiro-ministro italiano em 2014, continua atento à política, seja o tema que o trouxe a Lisboa seja o brexit ou a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos. E lamenta que os políticos tradicionais estejam a falhar junto das opiniões públicas, abrindo terreno a movimentos populistas, como o 5 Estrelas, hoje muito forte em Itália, governando até a cidade de Roma, a capital.

Ora, um dos temas preferidos dos populistas é a ameaça de invasão estrangeira, fantasma usado no Reino Unido pelos campeões do brexit e também nos Estados Unidos pelo próprio Trump. Mas Letta salienta que 80% dos refugiados vêm do que chama "as três guerras falhadas do Ocidente" e que os europeus e os americanos têm assim grandes responsabilidades nesta tragédia.

Contra o medo, Letta propõe soluções, desde "um senhor imigração" na Europa a uma polícia fronteiriça europeia a sério. E, sem hesitar, prevê que a crise dos refugiados vai durar anos e por isso a unidade entre os europeus é decisiva, até porque são os valores humanistas que estão em causa. Merece ser ouvido.

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