Já chega disto, Brasil

Digamos que Michel Temer não se tornou presidente da melhor maneira do quinto maior país do mundo, também o quinto mais populoso. Afinal beneficiou da atribulada e polémica destituição de Dilma Rousseff, de quem era vice, para chegar ao mais alto cargo do Brasil em 2016.

Mas mesmo assente num processo claramente político que dividiu o Brasil, a ascensão de Temer teve o mérito inicial de devolver alguma normalidade institucional e de tranquilizar bastante os meios empresariais: o crescimento de pouco mais de 1% no primeiro trimestre deste ano, embora tímido, dá alguma razão a esta leitura benigna dos factos, até porque tanto em 2016 como em 2015, em pleno segundo mandato de Rousseff como presidente da República, a economia contraiu-se quase 4%.

Ora com o Brasil agora de novo a crescer, algum otimismo estava também a regressar ao país e ao seu povo. Depois dos fulgurantes anos sob liderança de Lula da Silva, em que o Brasil subiu até ao sexto lugar das potências económicas, os tempos tinham sido de derrapagem, uma quebra para nono lugar, atrás agora da Itália. Com Temer, ou apesar de Temer, o Brasil parecia estar a começar a recompor-se, mesmo que as acusações de corrupção contra Dilma e Lula deixassem milhões em desespero ou pela queda em desgraça dos seus heróis ou por verem por trás dela o revanchismo dos velhos poderes instalados.

Renuncia ou não, Temer, depois de envolvido em mais um escândalo? Esperará o Brasil ou não por novo voto só em 2018, ou haverá diretas já se o presidente cair? São questões pertinentes. Mas a mais importante de todas parece-me ser outra: quando vai o povo brasileiro renovar uma classe política que não só desilude pelos escândalos contínuos como sobretudo prejudica a imagem e a realidade de um país tão cheio de potencial?

Em 200 milhões de brasileiros não falta de certeza gente séria e capaz. Já chega disto, Brasil.

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