Do brexit ao brêxito

Em meados de fevereiro, a imprensa britânica entusiasmou-se com um estudo da PwC sobre a economia mundial em 2050. Afinal, segundo a empresa de consultadoria, os efeitos negativos do brexit serão momentâneos e nas próximas três décadas o Reino Unido verá a sua economia crescer a um ritmo superior ao dos outros membros do G7. E, num mundo em que a China e a Índia liderarão, remetendo a América para o terceiro lugar da hierarquia das potências económicas, o Reino Unido até será o país europeu a manter mais estável a sua posição, mesmo que um pouco atrás da Alemanha em termos de PIB (o que não surpreende, tendo em conta a desvantagem populacional). Contas feitas, a PwC prevê que a economia britânica cresça uma média de 1,9% por ano até 2050, contra 1,6% do resto do G7. Uma espécie de brêxito.

Para os defensores do brexit entre os britânicos foi uma excelente notícia. Para os outros, também deveria de ser, pois afinal a rutura com a União Europeia não significa a desgraça anunciada. E mesmo para os restantes 27 países membros, por muito frustrados e zangados que estejam hoje com o Reino Unido, uma economia britânica sólida e próspera tem de trazer vantagens. E não vale a pena argumentar que o sucesso do brexit dará um mau exemplo a outros países: só quem desconhece a história da nação insular do outro lado do canal da Mancha pode achar que o seu destino - mesmo o que escolheu em junho de 2016 e confirmará a 29 de março, como anunciado ontem pela primeira-ministra Theresa May - é facilmente imitável.

Afirma hoje no DN a embaixadora Kirsty Hayes que o Reino Unido sai da União Europeia mas fica na Europa. E que não há razão para que países que partilham tantos valores deixem de ser parceiros. Isso é tanto ou mais válido para Portugal, cujos laços históricos com o Reino Unido têm seis séculos. Portanto, goste-se ou não do brexit, é hora de olhar em frente, de evitar traumas desnecessários entre as democracias europeias e aproveitar a necessidade que o Reino Unido vai continuar a ter dos velhos aliados para construir um caminho de êxito.

Do mesmo autor

Mais em Opinião

Conteúdo Patrocinado

Mais popular

  • no dn.pt
  • Opinião
Pub
Pub