Três mortos, 62 feridos e 312 detidos

O Ministério Público venezuelano (MP) confirmou hoje que três pessoas morreram, 62 ficaram feridas e 312 foram detidas, quarta-feira, dia em que a oposição saiu às ruas das principais cidades a protestar contra a "rutura" da ordem constitucional.

Segundo o MP os falecidos foram identificados como Andreina Ramírez Gómez de 23 anos, o sargento da Guarda Nacional Bolivariana (GNB, polícia militar), José San Clemente Barrios e um jovem de 17 anos de idade, Carlos José Moreno.

O Estado venezuelano de Táchira (sudoeste do país) foi onde se registam mais feridos, 19, seguido pela cidade de Caracas (15), Mérida (8), Barinas (5), Falcón (4), Anzoátegui, Carabobo, Portuguesa e Zúlia, cada um com 2. As localidades de Bolívar e Apure registaram cada uma um detido.

Segundo o MP foi detido Iván Alexis Pernía Dávila (31) por alegadamente estar envolvido no assassinato de Andreína Ramírez Gómez, ocorrido nas proximidades da Praça San Carlos, em San Cristóbal.

Por outro lado, o MP iniciou as investigações à morte de Niumar José San Clemente Barrios, na noite de quarta-feira, na localidade de Santo António de Los Altos, a sul de Caracas.

A vítima, segundo o MP, realizava trabalhos de ordem pública, quando foi surpreendida por vários tiros que feriram ainda um coronel (Chefe do Estado Maior).

Entretanto milhares de venezuelanos voltaram hoje às ruas da cidade de Caracas em protesto pela repressão policial durante manifestações opositoras, para exigir a libertação de presos políticos e o fim da "ditadura".

Os opositores querem ainda que se realizem eleições livres na Venezuela, que seja aberto um canal humanitário para a entrada de alimentos e medicamentos no país.

Protestam ainda pelo que dizem ser uma rutura da ordem constitucional e contra duas recentes sentenças em que o Supremo Tribunal de Justiça limita concede poderes especiais ao Chefe de Estado, limita a imunidade parlamentar e assume as funções do parlamento.

Elementos da Guarda Nacional Bolivariana (GNB, polícia militar) dispersaram hoje centenas de pessoas em várias zonas de Caracas, que pretendiam juntar-se a outros manifestantes para tentar, de novo, chegar até à Defensoria do Povo (Procuradoria popular).

Em El Paraíso, bairro a oeste de Caracas, centenas de pessoas foram bombardeadas com gás lacrimogéneo e atingidas com tiros de balas de borracha pela GNB, na avenida O'Higgings. Durante a repressão policial ficou ferido o deputado José Manuel Olivares.

No estavam também os deputados opositores Richard Blanco, Carlos Paparoni, Simón Calzadilla e Mitzy Capriles de Ledezma, mulher do autarca de Caracas, António Ledezma, (atualmente detido).

Segundo o deputado Jorge Millán, do partido Primeiro Justiça, as forças de segurança detiveram seis militantes daquele partido opositor.

Um tribunal venezuelano ordenou hoje a detenção de 14 militares pela sua suposta responsabilidade na morte de um jovem durante os protestos antigovernamentais no estado ocidental de Lara, na Venezuela, em 11 de abril.

O provedor da Justiça, Tarek William Saab, explicou, através da sua conta na rede social 'Twitter', que um juiz ordenou a detenção de 14 membros da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) "envolvidos no crime de Grunesy Canelón".

O jovem foi atingido por um disparo à queima-roupa, que lhe causou lesões no "pulmão direito, diafragma e fígado", acabando por falecer 30 horas depois, de acordo com as informações dadas à agência espanhola EFE pelo deputado opositor do estado de Lara, Alfonso Marquina.

Esta morte ocorreu no meio dos protestos antigovernamentais que há quase três semanas se sucedem na Venezuela, quase todos convocados pela oposição Mesa da Unidade Democrática (MUD).

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