Tsunami Emmanuel Macron? França conhece hoje a sua real dimensão

Presidente de França, Emmanuel Macron, esteve na base do partido La République en Marche!

Hoje se verá se o voto dos franceses confirma as sondagens que apontam para uma maioria absoluta histórica do La République en Marche!, partido criado pelo presidente Emmanuel Macron, na segunda volta das eleições

O alerta de tsunami foi acionado há uma semana, mas só hoje será conhecido o tamanho da onda. O La République en Marche!, partido de Emmanuel Macron, o vencedor das eleições presidenciais de maio em França, saiu vitorioso da primeira volta das eleições legislativas no dia 11 (aliado ao MoDem de François Bayrou). E as sondagens indicam que, depois da segunda volta de hoje, os Macronistas dominarão a maioria dos lugares na Assembleia Nacional. O desafio que se coloca a seguir é o de assegurar que uma maioria absoluta, que poderá ser histórica, não dará depois lugar a uma qualquer deriva absolutista.

Na sondagem OpinionWay, que foi publicada na quinta-feira, o La République en Marche! surge creditado com entre 440 e 470 deputados num universo de 577. Em segundo lugar ficam Os Republicanos, partido de direita, a que pertence Nicolas Sarkozy (presidente de França entre 2007 e 2012). Teriam entre 70 a 90 eleitos. Na terceira posição surge o Partido Socialista e seus aliados, com apenas entre 20 e 30 deputados. A descida é bastante considerável, uma vez que, até agora, os socialistas tinha 295 deputados no parlamento. Na primeira volta destas legislativas sofreram mesmo a humilhação de ver o seu ex-candidato presidencial, Benoît Hamond, ser eliminado na circunscrição de Trappes pelos candidatos do La République en Marche e d'Os Republicanos.

De acordo ainda com a sondagem da OpinionWay, que foi realizada entre os dias 13 e 15, em quarto lugar surge a França Insubmissa e o Partido Comunista com entre 5 e 15 deputados eleitos nesta segunda volta de hoje. Um deles deverá ser o líder da França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, que disputa a segunda volta na 4.ª circunscrição de Bouches-du-Rhône com Corinne Versini, candidata do La République en Marche! A Frente Nacional, por seu lado, poderá eleger entre um e cinco deputados para a Assembleia Nacional, segundo a mesma projeção. A líder do partido de extrema-direita, que foi a rival de Macron em maio na segunda volta das presidenciais, arrisca-se mesmo a ser a única deputada eleita pela FN. Disputará a 11.ª circunscrição de Pas-de-Calais com Anne Roquet, candidata do La République en Marche. Até agora havia dois deputados da extrema-direita no parlamento, um deles era Marion Maréchal Le Pen, sobrinha de Marine.

Apesar de se falar na maioria absoluta do partido de Macron há já uma semana, a verdade é que, na primeira volta das legislativas, apenas quatro deputados dos 577 ficaram logo escolhidos: dois socialistas, um da esquerda radical, outro do La République en Marche. Apenas estes tiveram mais de 50%. O sistema eleitoral francês de duas voltas serve para eliminar os menos votados logo na primeira volta. Se ninguém tiver mais de 50%, passam à segunda volta os dois candidatos com mais votos. Ganha, quem tiver o melhor resultado. Ainda assim são possíveis as chamadas triangulares, ou seja, pode haver mais do que dois candidatos na segunda volta se um terceiro tiver mais de 12,5%. Pode chegar a haver até quatro candidatos. Hoje haverá apenas uma triangular em Aube, no nordeste de França, disputada pel"Os Republicanos, pelo La République en Marche! e pela Frente Nacional. Em 2012, houve 34 triangulares. A abstenção, que na primeira volta das legislativas, foi da ordem dos 51,3% poderá, segundo o estudo da OpinionWay, aumentar agora até aos 54%.

Acusado por muitos de ter pouca experiência política, Macron, ex-ministro da Economia de François Hollande, com 39 anos, vê muitos dos candidatos nas listas do La République en Marche! serem acusados do mesmo. Falta ver até que ponto isso é negativo. Já a falta de competências para ser deputado, outra acusação recorrente, pode ser uma história diferente. A ausência de oposição é outro dos desafios de uma maioria absoluta do La République en Marche! "É a chambre introuvable de Louis XVIII", diz o analista Gael Sliman, ao Challenges.fr. Outro perigo é o de uma cacofonia, em que várias vozes poderão começar a surgir dentro de tão grande maioria.

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