Trudeau muda de MNE para agradar a Trump e escolhe crítica de Putin

Stéphane Dión cede o lugar a Chrystia Freeland depois de ter sido muito agressivo com o candidato republicano durante a campanha presidencial nos Estados Unidos. Mas a nova ministra dos Negócios Estrangeiros canadiana, que até fala russo, tem um historial de tensão com Moscovo.

Chrystia Freeland, até ao momento ministra do Comércio Internacional, foi promovida a chefe da Diplomacia canadiana. O seu antecessor, Stéphane Dion, terá sido afastado pelo primeiro-ministro Justin Trudeau para salvaguardar as relações com os Estados Unidos, agora que Donald Trump está a poucos dias de tomar posse como presidente. É que durante a campanha eleitoral americana o ex-ministro multiplicou-se em tomadas de posição contra o candidato republicano, dizendo, por exemplo, que para o Canadá era inaceitável a proposta de Trump de recusar a entrada de muçulmanos no grande vizinho do sul.

Trudeau, um primeiro-ministro que tem beneficiado da ascensão de Trump para reforçar a imagem do Canadá como o verdadeiro país multicultural da América do Norte, justificou as mudanças no governo com a necessidade de ter uma equipa sólida para futuras negociações, pois "as mudanças em Washington vão trazer oportunidades e desafios ao Canadá".

O Canadá partilha uma fronteira de quase nove mil quilómetros com os Estados Unidos, a mais longa do mundo entre dois países, e tem o vizinho do sul como o principal parceiro económico. Apesar da proximidade geográfica, a história (o Canadá tem uma forte componente francófona e por outro lado continua a ter a rainha de Inglaterra por chefe do Estado) levaram a que haja hoje grande diferença cultural e política entre aqueles que são o segundo e quarto maiores países do mundo, com o do Norte a ter muito mais em comum com a Europa, desde o sistema partidário até ao Estado social. Também é enorme a diferença de população, com os canadianos a serem 35 milhões e os americanos quase dez vezes mais.

Contudo, a nova ministra dos Negócios Estrangeiros poderá trazer problemas à relação com outro gigante, a Rússia. Freeland, que estudou Literatura Russa e domina várias línguas eslavas, é uma antiga jornalista, que foi correspondente na Ucrânia do Financial Times, Washington Post, Economist e Reuters. Apoiante das manifestações em Kiev que afastaram o presidente ucraniano pró-russo, chegou a ser inscrita numa lista de personalidades canadianas proibidas de entrar na Rússia, uma retaliação de Moscovo às sanções de Otava por causa da anexação da Crimeia.

Artigo alterado às 17.15. Corrigidas referências ao ministro Stéphane Dión

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