Temer pede suspensão do inquérito e diz que continua à frente do governo

Presidente brasileiro, Michel Temer

Presidente garante que a gravação que aparentemente o incrimina foi manipulada

Michel Temer está apostado em resistir e hoje, em nova comunicação ao país, denunciou incoerências entre o conteúdo da gravação áudio usada contra si e o depoimento do delator Joesley Batista, pedindo, por isso, a suspensão do inquérito no Supremo Tribunal Federal até que sejam avaliadas as gravações.

"Nunca comprei o silêncio de ninguém, nem obstruí a justiça", afirmou o presidente, pondo em causa a autenticidade das gravações. "Houve mais de 50 edições desse áudio", sublinhou, garantindo que o Brasil não descarrilará. "Continuarei à frente do governo", declarou.

"Ele cometeu o crime perfeito. Enganou os brasileiros e agora mora nos Estados Unidos. Quero observar a todos vocês as incoerências entre o áudio e o teor do depoimento. Isso compromete a lisura de todo o processo por ele desencadeado", afirmou Temer, perante os jornalistas.

O escândalo rebentou na quarta-feira à noite com a notícia do jornal Globo e, na quinta-feira à noite, Michel Temer fez a primeira comunicação ao país garantindo que nada tem a esconder e que não se demitia. "Não renunciarei", garantiu na altura o chefe do Estado, já milhares de manifestantes pediam a sua saída do poder e eleições diretas desde a véspera nas ruas do Brasil.

O Globo divulgou uma gravação, realizada em março, na qual o presidente brasileiro surge de certa forma a incentivar o pagamento pelo silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, que foi detido no âmbito da Operação Lava-Jato.

Segundo o jornal, Joesley Batista, magnata brasileiro dono da JBS, a maior empresa do setor das carnes, apresentou à polícia um áudio onde Temer o incentiva a pagar a Cunha pelo seu silêncio. "Tou de bem com o Eduardo", diz Batista, enquanto Cunha responde: "Temos de manter isso, viu?".

Cunha, o principal motivador do impeachment de Dilma Rousseff, aliado e colega de partido de Temer, o PMDB, já havia, da prisão, dado a entender que poderia envolver Temer na Lava-Jato. Joesley Batista entregou ainda um vídeo em que Rodrigo Loures, deputado do PMDB ligado a Temer, recebe uma mala com 500 mil reais para resolver assuntos ligados à JBS.

Noutro áudio, Aécio Neves, candidato à presidência derrotado em 2014 por Dilma, é gravado a pedir dois milhões de reais a Joesley. Com autorização da polícia, a entrega do dinheiro a um primo de Aécio foi filmada.

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