Temer acusado de corrupção passiva, obstrução à justiça e organização criminosa

O Presidente do Brasil, Michel Temer

Procuradoria vê indícios de três crimes pendentes sobre o presidente brasileiro

O Procurador-Geral da República brasileiro, Rodrigo Janot, afirma que tem indícios da prática de três crimes pelo atual Presidente brasileiro, Michel Temer: corrupção passiva, obstrução à justiça e organização criminosa.

É o que consta no pedido de abertura da investigação feito ao Supremo Tribunal Federal (STF) e que esta sexta-feira está a ser divulgado pelos media brasileiros.

Entre os delitos alegadamente cometidos por Temer, o procurador sublinha "o de corrupção passiva, o qual, como é sabido, pressupõe justamente o exercício de cargo, emprego ou função pública por parte do agente".

Para a acusação, Temer e o senador afastado Aécio Neves agiram em conluio para impedir o avanço das investigações ao processo Lava Jato, segundo consta no documento que a Procuradoria-Geral da República enviou ao STF a pedir a abertura de inquérito ao presidente brasileiro.

"Assim, vemos a possível prática do crime de obstrução da justiça", destaca ainda Rodrigo Janot, no documento enviado ao magistrado do STF, Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato.

O PGR também considera que Michel Temer cometeu o crime de formação de organização criminosa.

O Presidente brasileiro foi envolvido diretamente num escândalo de corrupção causado por um acordo judicial firmado pelos irmãos e donos da produtora de carne brasileira JBS, Joesley Batista e Wesley Batista.

No seu acordo de colaboração com a Justiça, o empresário Joesley Batista entregou uma gravação secreta que compromete o chefe de Estado brasileiro.

O empresário também confessou que desde 2010 que subornava Michel Temer, segundo documentos divulgados hoje pelo STF.

O pedido de abertura de inquérito assinado pelo Procurador-Geral destaca que a gravação entregue pelo empresário mostra que Michel Temer deu "aval" para comprar o silêncio de Eduardo Cunha, ex-presidente da câmara baixa brasileira, atualmente a cumprir pena de prisão por corrupção.

Após a divulgação das gravações, Michel Temer anunciou quinta-feira, em comunicação pública, que não renunciava e alegou que as investigações do STF provarão que está inocente. Com Lusa

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