Skywalker Ranch: a construir sonhos no meio do campo

Visita a um dos mais lendários locais da indústria cinematográfica

Chega-se ao rancho depois de uma viagem de uns 40 minutos para norte de São Francisco. Estamos em plena zona rural do condado de Marin - um dos mais ricos dos Estados Unidos. A estrada é sinuosa, por vales e colinas. Muito verde. Os dois portões baixos do n.º 5858 da Lucas Valley Rd. (o nome vem de um grande proprietário da região, do início do século XX, sem ligação a George Lucas) estão fechados, mas o do lado direito abre-se conforme aproximo o carro. Não tivesse a morada e falhava o rancho, passando na estrada nada denuncia o que está para lá dos portões. Uns metros à frente, a cabina do segurança. Foi aqui que Sheldon Cooper, personagem de The Big Bang Theory, tentou a sorte e desatou a correr ignorando o segurança - para o resto da história é procurar o episódio The Skywalker Incursion, da 8.ª temporada.

O meu nome estava à entrada - num dos mais lendários locais da indústria cinematográfica -, recebi um pequeno mapa da propriedade e instruções para estacionar junto à casa principal. Meia dúzia de lugares debaixo da cobertura de sebes naturais. Os restantes espaços para automóveis são no subsolo, para não perturbar a paisagem. O rancho tem 1900 hectares, num esforço de compra de terra que George Lucas começou em 1978 ao adquirir as primeiras parcelas. A casa principal é a réplica de uma mansão vitoriana de final do século XIX com toques de art déco. Nunca esteve nos planos servir como habitação, mas como espaço de trabalho.

Ângelo Garcia recebe-me no amplo salão de entrada e deixa a Tom a explicação da propriedade. Do alpendre da casa principal, com o lago Ewok lá em baixo, Tom vai contando como a casa foi construída com materiais locais e reciclados. Boa parte da madeira foi aproveitada de uma das primeiras pontes construídas na Califórnia. Do lado direito, por cima do lago e numa zona de vinha está o "edifício técnico". É a sede da Skywalker Sound, local de trabalho de inúmeros sonoplastas e especialistas em sonorização de filmes. "Temos a maior biblioteca de som do mundo", diz-me Tom, que acrescenta que "daqui a pouco vai aterrar lá em baixo um helicóptero Bell 212: precisamos de gravar o som." Numa colina por cima do edifício técnico, umas quantas vacas a pastar. "São da raça Wagyu, a dos bifes kobe, e tanto quanto sabemos são as mais puras fora do Japão", diz Tom, que explica ainda que as vinhas já produzem um tinto (pinot noir) e um branco (chardonnay) de exceção. A marca é Skywalker, claro, e já conseguiram 93 pontos na Wine Spectator. À parte a carne e o vinho, o rancho é quase autossuficiente, com diversas áreas de plantação biológica de frutos e vegetais, um olival e produção de azeite, e colmeias para garantir mel e a polinização. E há um quartel de bombeiros próprio, que muitas vezes ajuda em emergências noutras zonas do condado.

Voltamos à casa principal, e num corredor que liga o salão de entrada à sala de música paro a olhar para seis vitrinas, três de cada lado do corredor. Tom confirma que não estou a fazer nada de estranho. "É o sítio preferido da casa para muita gente, fica à vontade." Nas vitrinas, sabres de luz, maquetas de personagens da Guerra das Estrelas e outros adereços da saga. Do outro lado, o chapéu e a bengala de Charlie Chaplin, crachás dos Keystone Cops, o chicote e a caveira de cristal de Indiana Jones. Estava ganho o dia.

Vamos passando por várias salas - incluindo uma só para videojogos, com um enorme ecrã e sofás a toda a volta - até chegarmos à biblioteca. Os vitrais da claraboia em cúpula dão um tom quente à sala ampla e revestida a madeira. Descemos à cave e Ângelo Garcia abre uma porta. "Não deixamos entrar aqui todos os visitantes, é aqui que o George costuma fazer os visionamentos." A sala de cinema, com paredes e teto em madeira, terá cerca de 30 sofás de aspeto bem confortável, quase todos com uma pequena mesa ao lado e um candeeiro art déco. Há mais umas salas de projeção na propriedade, uma delas com capacidade para 300 pessoas, mas esta é especial. À saída da sala, num pequeno gabinete, está a ser pós-produzido um vídeo de promoção aos vinhos Skywalker. Há diversos gabinetes assim, destinados a trabalho de produção ou montagem vídeo, nos outros edifícios do rancho, todos de aspeto discreto e integrados na paisagem - um celeiro e duas casas de campo. Não é, de todo, um mau sítio para trabalhar.

Em São Francisco

Esta reportagem foi feita no âmbito de uma parceria DN-FLAD

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