Sánchez aceita acordo com Rivera e Iglesias faz ultimato

O PSOE de Pedro Sánchez e o Ciudadanos de Albert Rivera chegaram ontem a um entendimento que o socialista diz ser para uma “legislatura”

Debate de investidura do líder do PSOE foi antecipado para a próxima terça-feira por causa de um erro de cálculo. No primeiro dia dos trabalhos o socialista será o único a discursar

Pedro Sánchez anunciou ontem ter chegado a "um acordo de legislatura" com o Ciudadanos, que incluirá o voto favorável do partido de Albert Rivera à sua investidura como primeiro-ministro, mas também o apoio a um governo do PSOE, se conseguirem os apoios suficientes. Uma novidade dada pelo secretário-geral socialista já com os microfones desligados e depois de ter assumido, em conferência de imprensa, que tinha aceitado as cinco propostas de reforma constitucional que lhe tinham sido feitas pela força de centro-direita.

"Estamos à beira de um pacto entre duas forças políticas relevantes, do centro-direita e centro-esquerda, e será uma boa base para liderar uma política de mudança", disse inicialmente Sánchez aos jornalistas. Entre as cinco reformas agora aceites estão o fim do estatuto especial perante a Justiça de determinados titulares cargos públicos, a extinção das assembleias provinciais, bem como a limitação dos mandatos de primeiro-ministro a apenas oito anos.

Tendo em conta que a soma dos 90 deputados do PSOE e dos 40 do Ciudadanos fica bem longe dos 176 votos (maioria absoluta) que Sánchez necessita para ser eleito primeiro-ministro, o socialista deixou ontem bem claro que, nos próximos dias, quer também selar entendimentos com outros partidos, especialmente o Podemos (que tem 69 deputados). "Quando há vontade de mudança há vontade de acordar", disse o socialista.

Perante este cenário, Pablo Iglesias garantiu que um acordo entre PSOE e Ciudadanos não contará com o apoio do Podemos na sessão de investidura de Pedro Sánchez. "É um não, não o apoiaremos", disse. "O acordo entre o PSOE e o Ciudadanos não é de governo, nem de investidura porque os números não chegam. Ainda estão muito longe de dar um novo governo a este país. Para que houvesse um governo tinha que juntar-se o PP. O que nós estamos a propor está mais próximo da realidade aritmética", declarou.

O líder do Podemos voltou ainda a lembrar o secretário-geral dos socialistas que, tendo em conta os resultados das eleições de 20 de dezembro, só existem duas opções. "Uma de progresso, com um acordo PSOE-Podemos, ou uma grande coligação, PSOE-Ciudadanos-PP", continuou. "O acordo PSOE-Ciudadanos não dá para um acordo de governo, nem mesmo se for ratificado pelo Papa", acrescentou.

O mesmo já não acontece com as negociações à esquerda, iniciadas na segunda-feira, entre PSOE, Podemos, Esquerda Unida e Compromís. "Não é preciso ser muito perspicaz para perceber que estes quatro partidos estão a negociar um governo", referiu Iglesias, dizendo que "seria uma notícia magnifica se o Ciudadanos se abstivesse ou apoiasse um governo progressista", mas que não acredita em tal.

Enquanto isso, o PP está já a dar como certo o fracasso de Sánchez, tendo anunciado ontem, depois de um encontro com o Ciudadanos, que a próxima reunião com o partido de Rivera será "depois de dia 4" e terá como objetivo começar a negociar um entendimento.

Enganar os espanhóis

O presidente do Parlamento antecipou o processo de investidura de Pedro Sánchez em um dia, começando assim na próxima terça-feira, 1 de março. O motivo apresentado por Patxi López é que o cálculo para que umas hipotéticas novas legislativas se realizem a 26 de junho estava mal feito, porque não foi tido em conta o tempo que o trâmite demora a ser publicado no Boletim Oficial do Estado (o equivalente ao Diário da República em Portugal).

Com esta alteração, o debate de investidura terá início na terça-feira às 16.00 locais (15.00 em Lisboa) com o discurso do líder socialista. Os trabalhos serão retomados no dia seguinte, às 09.00 locais, com as intervenções de Mariano Rajoy e os restantes líderes partidários com assento parlamentar. A votação, na qual é necessária uma maioria absoluta, será nessa noite. Se não for bem sucedida será repetida 48 horas depois, apenas com a exigência de uma maioria simples.

O PP acusou o presidente do Parlamento de "não conhecer o regulamento e a lei" e de "cometer um erro grave para enganar os espanhóis".

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