Rússia critica intervenção norte-americana na região Ásia-Pacífico

Serguei Lavrov, à esquerda na fotografia

Serguei Lavrov, ministro russo dos Negócios Estrangeiros, fala em "grave risco" para a região. Em causa a resposta dos EUA à ameaça norte-coreana

O ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, criticou esta segunda-feira em Tóquio a instalação de sistemas norte-americanos de defesa antimísseis balísticos na Ásia-Pacífico em resposta à ameaça norte-coreana, denotando um "grave risco" para a região.

"Sublinhámos os graves riscos relacionados com a instalação de elementos do sistema global antimíssil americano na região Ásia-Pacífico", declarou Lavrov após uma reunião dos ministros russos e japoneses dos Negócios Estrangeiros e da Defesa.

A segurança da região Ásia-pacífico dominou estas discussões "2+2" consagradas a um leque alargado de questões, duas semanas após os disparos de mísseis norte-coreanos em direção ao Japão.

Os Estados Unidos iniciaram recentemente a instalação do seu sistema antimísseis Thaad (Terminal High Altitude Area Defense) na Coreia do Sul. Washington e Seul anunciaram esta medida em julho de 2016 em resposta à intensificação do programa norte-coreano de mísseis balísticos, motivando uma reação de rejeição pela China e Rússia.

"Se for para contrariar as ameaças provenientes da Coreia do Norte, o deslocamento deste sistema, tal como a acumulação de armas na região, são uma resposta desproporcionada", acrescentou Lavrov no decurso de uma conferência de imprensa dos quatro ministros, sem mencionar especificamente o sistema Thaad.

"Concordámos em apelar firmemente à Coreia do Norte para que opte para contenção, evite novos atos provocadores e respeite as resoluções da ONU", declarou o ministro japonês dos Negócios Estrangeiros, Fumio Kishida.

"Estamos de acordo com os nossos parceiros japoneses sobre o facto que a Coreia do Norte deve respeitar estritamente as resoluções do Conselho de Segurança da ONU", insistiu Lavrov.

A Coreia do Norte continua a desenvolver os seus programas nuclear e balístico, à revelia das deliberações das Nações Unidas. Em 2016 efetuou dois ensaios atómicos e há duas semanas disparou diversos mísseis em direção ao Japão, com três dos engenhos a caírem relativamente perto do arquipélago.

Na semana passada, durante a sua deslocação a Tóquio, o chefe da diplomacia dos EUA, Rex Tillerson, referiu-se ao constante fracasso de 20 anos de esforços diplomáticos para contrariar o programa nuclear norte-coreano. No mesmo périplo pela região, disse em Seul que uma ação militar contra Pyongyang era uma "opção" possível, numa alteração da posição de "paciência estratégica" face ao Norte da península coreana durante a era de Barack Obama.

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