Rouhani tenta segundo mandato no Irão contra cinco adversários

O presidente Hassan Rouhani formaliza a sua candidatura

Os iranianos votam a 19 de maio numas presidenciais em que o detentor do cargo, Hassan Rouhani, enfrenta quatro adversários conservadores e um quinto reformista como ele.

Hassan Rouhani - Um presidente à procura de segundo mandato

Jurista de formação, é considerado um moderado. Ganhou as presidenciais de 2013, na primeira volta e por larga maioria, com um programa de liberalização interna e de abertura no plano internacional. O principal sucesso é ter conseguido o acordo sobre o programa nuclear iraniano, que permitiu o levantamento das sanções internacionais em 2016, em vigor há mais de uma década. Apoiado pelo ex-presidente Khatami, Rouhani, de 68 anos, é considerado o principal favorito. Os adversários criticam o desempenho do seu governo em matéria económica, fazendo notar que mais de três milhões de iranianos estão no desemprego, mas Rouhani lembra que o país já pode exportar petróleo sem restrições e está a atrair investimento estrangeiro. O atual presidente lançou-se na vida política na época do Xá Reza Pahlavi antes de deixar o país para se juntar ao ayatollah Khomeini então exilado em Paris. Após a revolução de 1979, ocupou inúmeros cargos, muitos deles associados às questões militares.

Ebrahim Raisi - O clérigo conservador próximo do Líder Supremo

É considerado muito próximo do Líder Supremo, ayatollah Ali Khamenei, que o elogiou publicamente em várias ocasiões, sendo visto como um possível sucessor daquele. A sua nomeação, no ano passado, para presidir uma importante fundação ligada a Khamenei, foi interpretada como indicador disso mesmo. Raisi, de 56, apresenta-se com um programa que privilegia a vertente económica e de combate à pobreza e corrupção. Professor de Direito, foi procurador-geral e um dos principais responsáveis do aparelho judicial, tendo ocupado sucessivas posições nesta área. É membro da Assembleia de Peritos desde 2006, o órgão que escolhe o Líder Supremo, e ainda um tribunal especial encarregado de julgar casos em que estão envolvidos clérigos. O seu principal desafio será o de conseguir unir o campo conservador em torno da sua candidatura. Raisi nasceu numa família de clérigos com uma genealogia que a liga aos descendentes de Maomé. Estudou em Qom, o centro religioso do islão xiita.

Eshaq Jahangiri - Um moderado com amigos influentes e a pensar no futuro

É o primeiro vice-presidente de Rouhani e também considerado um moderado. Foi ministro da Indústria durante os dois mandatos do presidente Khatami (1997-2005). Considerado próximo de um outro antigo presidente, Hashemi Rafsanjani, recentemente falecido e figura influente do regime, Jahangiri, de 60 anos, é licenciado em Física. É igualmente considerado próximo de uma das figuras centrais do regime iraniano na atualidade, o general Qassem Soleimani, um dos principais dirigentes dos Guardas da Revolução. A sua candidatura surpreendeu muitos, mas pode ter sido consertada com Rouhani, sendo mais uma voz a defender o balanço da atual presidência. Outros consideram que a sua presença nestas eleições se destina a preparar uma candidatura nas seguintes, em 2021, em que Rouhani não se pode apresentar. Jahangiri entrou na política na época do Xá, de que foi opositor. Após a revolução de 1979, foi deputado e governador provincial, antes de chegar ao governo.
Mostafa Mirsalim - Um adversário declarado de compromissos com o Ocidente

Foi ministro da Cultura e da Educação Islâmica sob a presidência de Hashemi Rafsanjani (1989-1997) e anteriormente fora ministro-adjunto do Interior e um dos principais dirigentes das forças policiais. Mirsalim, de 69 anos, foi também o principal assessor de Ali Khamenei, quando o atual Líder Supremo foi presidente na década de 80. Licenciado em Engenharia Mecânica pela Universidade de Poitiers, é professor desta matéria na Universidade de Teerão. É considerado um conservador e adversário de qualquer compromisso com os países ocidentais. A sua época no Ministério da Cultura e da Educação Islâmica ficou marcada por uma atuação inflexível no combate às influências externas e pela censura a uma série de publicações do setor reformista. Integra o Conselho de Discernimento, com funções semelhantes à de um Conselho de Estado, que funciona junto do Líder Supremo, mas que arbitra também eventuais conflitos entre os órgãos de poder do regime.
Mostafa Hashemitaba - O candidato centrista que regressa 16 anos depois

Foi vice-presidente no segundo mandato de Rafsanjani e no primeiro de Khatami. É considerado um reformista com posições centristas e apresentou-se nas presidenciais de 2001, tendo ficado em último lugar entre os dez candidatos. Hashemitaba, de 70 anos, foi ainda ministro da Indústria nos anos 80 e um dos dirigentes do Comité Olímpico iraniano e do organismo estatal de Educação Física. Foi um dos impulsionadores, em 2001, dos primeiros encontros desportivos entre atletas iranianos e dos EUA, numa tentativa de aproximação entre os dois países. O percurso político é algo contraditório. Apesar de pertencer a um partido reformista e de ter apoiado candidatos reformistas nas eleições de 2009, em que foi reeleito Mahmoud Ahmadinejad, sob acusações de fraude eleitoral, Hashemitaba também defendeu o encerramento de publicações não conservadoras. A sua candidatura foi vista com alguma incredulidade no Irão, tanto mais que muito pouco comunicou sobre os seus objetivos.
Mohammad Bagher Ghalibaf - O presidente de Câmara que é também piloto comercial

Foi comandante militar durante a guerra Irão-Iraque (1980-88), tendo chefiado uma divisão de infantaria. Em 1999, foi nomeado chefe da polícia de Teerão, cidade de que é hoje líder da Câmara. Nas presidenciais de 2005, apresenta-se como um moderado que defende a abertura do regime. Os seus cartazes mostram-se junto de avião Airbus, a lembrar que Ghalibaf, de 55 anos, é um piloto comercial. A eleição de 2005 é ganha por Ahmadinejad, que então dirigia a Câmara de Teerão, que Ghalibaf vai ocupar em seguida. Nas presidenciais de 2013 volta a apresentar-se, agora com um discurso conservador que têm mantido. As sondagens davam-no como favorito até a um debate televisivo em que o agora presidente Rouhani revelou que Ghalibaf defendera numa reunião do Conselho Supremo de Segurança Nacional a repressão contra os estudantes que se manifestavam então em Teerão. Promete a criação de "cinco milhões de empregos e a multiplicação" do rendimentos dos iranianos.

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