Maioria absoluta "clara" para Macron. Le Pen eleita

Projeções revistas dão ao La République en Marche!, aliado com o Movimento Democrático, 350 deputados, em 577 possíveis. Primeiro secretário do PS, Jean-Christophe Cambadélis, demitiu-se. Frente Nacional terá pelo menos seis deputados.

Segundo a projeção revista às 22.30 da ELABE para a BFMTV, o partido do presidente francês, Emmanuel Macron, que concorreu aliado com o Movimento Democrático (MoDem), terá eleito 350 deputados. É a maioria absoluta, mas aquém do que algumas sondagens previam (mais de 400 eleitos).

Os Republicanos e aliados terão 136 deputados, segundo a mesma projeção, enquanto o Partido Socialistas e aliados terão 46 deputados. A França Insubmissa terá entre 26 deputados. A Frente Nacional, de Marine Le Pen (que foi eleita em Pas-de-Calais), elegeu oito deputados, aumentando dos dois que tinha atualmente. Outros partidos terão 11 deputados.

Jean-Christophe Cambadélis, primeiro secretário do PS, diz que o triunfo de Macron é incontestável, assim como a derrota da esquerda, denunciando uma "abstenção alarmante" que as projeções dizem poder chegar aos 58%. "Os eleitores quiseram dar uma hipótese ao novo presidente, não dando qualquer hipótese aos seus adversários", refere numa primeira reação. "A esquerda deve mudar tudo, as formas e as ideias", acrescenta, anunciando a sua demissão do PS e falando da necessidade de uma "direção coletiva" no partido.

Bernard Cazeneuve, ex-primeiro-ministro socialista, os deputados eleitos pelo PS serão "sentinelas da justiça social". Manuel Valls, outro ex-primeiro-ministro socialista que perdeu as primárias presidenciais para Benoït Hamon, foi eleito com 50,3% (139 votos de avanço em relação à candidata da França Insubmissa, Farida Amrani). Quando falava aos jornalistas, e de uma "campanha difícil, por vezes odiosa", havia quem gritasse para exigir a anulação do voto. Várias pessoas que se manifestavam foram afastadas pela polícia da câmara de Évry, onde foi anunciado o resultado. Amrani já anunciou que irá recorrer do resultado.

Marine Le Pen eleita

Apesar de Marine Le Pen ter sido eleita (com 58,75% dos votos), o vice-presidente da Frente Nacional, Florian Philippot, foi derrotado em Moselle. Na primeira reação, Le Pen felicitou-se pela eleição de seis deputados da Frente Nacional, lamentando contudo a abstenção. Denunciando o "estado de lassitude" dos franceses e a "fragilidade da legitimidade do parlamento eleito", Le Pen critica o "modo de escrutínio antidemocrático". E acrescenta: "É escandaloso que um movimento como o nosso, com 6,7 milhões de eleitores nas presidenciais, não possa ter um grupo na Assembleia Nacional". Para tal necessitava de eleger pelo menos 15 representantes. A líder considera a Frente Nacional como "a única força de resistência à diluição da França".

"Se o governo Macron tem uma maioria muito forte, deve saber que as suas ideias são perfeitamente minoritárias no país. Nós seremos os porta-vozes dos milhões de franceses ligados à sua história, ao apoio dos mais fracos e à grandeza da civilização francesa", afirmou Le Pen. O seu cunhado e conselheiro, Philippe Olivier, marido de Marie-Caroline Le Pen, não conseguiu ser eleito pela sétima circunscrição de Pas-de-Calais.

François Baroin, d'Os Republicanos, também reagiu ao resultado da direita."O veredicto das urnas é claro", afirmou. "O desafio de Macron é imenso", acrescentou, falando na necessidade de reconstruir a família política da direita. "Os nossos deputados terão a responsabilidade essencial de ser a primeira força da oposição", disse.

"Uma maioria clara"

O primeiro-ministro Édouard Philippe, na primeira reação, falou de uma "maioria clara" que tem "como missão agir pela França". Em relação à abstenção, diz que não é uma boa notícia para a democracia. "O governo interpreta como uma obrigação de sermos bem-sucedidos", indicou Philippe. "Tenho confiança na França e na República", disse o primeiro-ministro, alegando que os franceses "preferiram a esperança à cólera" e que há um ano ninguém poderia imaginar "uma tal renovação na política".

O porta-voz do La République en Marche!, Benjamin Griveaus, reagira antes na TF1: "Temos uma maioria clara. Haverá uma maioria com uma oposição. É uma boa notícia. Há duas semanas, tinham-nos dito que não haveria oposição", indicou, acrescentando que a eleição dos deputados da Frente Nacional é uma "má notícia" e "demonstra a escala da nossa tarefa de voltar a tecer os laços sociais".

O ministro da Economia, Bruno Le Maire, que foi d'Os Republicanos e agora está no En Marche!, foi eleito com 64,53% dos votos (mas o seu lugar na Assembleia será ocupado pelo suplente). No total, seis ministros eram candidatos e Macron tinha dito que teriam que abandonar o governo caso perdessem. Os seis foram eleitos, incluindo Annick Girardin, ministra de Além-Mar, que tinha tido na primeira volta o mesmo número de votos que o adversário.

O ministro do Interior, Gerard Collomb, reagiu ao resultado dizendo que esta ampla maioria "vai permitir a Macron governar". Mas acrescentou: "Não seremos julgados pelos discursos, mas pelos atos. Estamos prontos", disse o socialista no Twitter.

Mélénchon consegue um grupo parlamentar

Jean-Luc Mélenchon, da França Insubmissa, fala de uma "greve geral cívica" dos franceses, referindo-se à elevada abstenção. E congratula-se com o facto de, junto com o Partido Comunista francês eleger entre 23 e 29 deputados, e poder ter um grupo na Assembleia. "Esta maioria não tem legitimidade para reformar o código de trabalho", defende. "Informo o novo poder que nem um metro de terreno do direito social será cedido sem luta", disse, falando diretamente com Macron.

Dois nacionalistas corsos, Jean-Félix Acquaviva e o professor de economia Michel Castellani, foram eleitos, o que é uma estreia para o movimento.

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