Programa socialista agrada ao Podemos e ao Ciudadanos

Pedro Sánchez num encontro com a Associação Espanhola de Startups

Ambas as formações reconhecem que há pontos de acordo, mas também discrepâncias. Sánchez reúne-se amanhã com Rajoy

O programa de governo ontem apresentado pelos socialistas espanhóis é baseado no que foi divulgado antes das eleições de 20 de dezembro. Mas, tendo em conta que foi escrito a pensar nas negociações para permitir a investidura de Pedro Sánchez como primeiro-ministro, recolhe já sugestões da esquerda e da direita. Daí que agrade tanto ao Podemos - "seria fácil pormo-nos de acordo" - como ao Ciudadanos - "nos pontos sobre recuperação económica e regeneração democrática é muito possível chegar a acordo". O problema é que Pablo Iglesias e Albert Rivera recusam sentar-se à mesma mesa e o PSOE precisa, no mínimo, dos votos favoráveis de um e da abstenção do outro.

"Ainda não pude ler tudo, mas dizem-me que se parece muito com o programa do Podemos, o que é uma boa notícia, que indica que será fácil pormo-nos de acordo com o PSOE para um governo de progresso, que é o que desejamos", afirmou Iglesias. Entre os pontos comuns está o ênfase na agenda social - como por exemplo a introdução de uma espécie de rendimento social mínimo - e da regeneração democrática. Já do lado dos obstáculos ao diálogo está o modelo territorial, a proposta socialista não inclui um referendo sobre a Catalunha, ou as "portas giratórias" (a passagem dos cargos públicos para os privados).

Outro obstáculo é a negativa do líder do Podemos ao Ciudadanos: "Parece-nos que um governo de progresso implica que o PSOE não pode olhar para a direita e pensar num governo de coligação com o PP e com o Ciudadanos, que é o que defende legitimamente o IBEX 35 [índice da bolsa espanhola]." O El Mundo dizia ontem que os grandes empresários apostam numa abstenção do PP (que insiste em que votará contra) para permitir o governo Sánchez com o apoio de Rivera.

Também o Ciudadanos encontra pontos em comum com programa do PSOE. O partido defendeu ontem a necessidade de negociar com a União Europeia a flexibilização do cumprimento do défice, colocando-o abaixo dos 3% apenas em 2017 e não já neste ano. "Trata-se de a UE autorizar essa flexibilidade em troca de um plano de reformas para evitar os cortes, a subida de impostos e poder aplicar as medidas sociais e de emprego", disse ontem Rivera. Isso já está contemplado no programa do PSOE ontem apresentado, com o líder do Ciudadanos a confirmar que o tinha discutido com Sánchez na reunião que mantiveram na semana passada.

O líder da equipa de negociadores do Ciudadanos, José Manuel Villegas, lembrou, contudo, que "os acordos que se podem concretizar com o PSOE dificilmente serão compatíveis com o Podemos". O partido de Rivera insiste ainda na ideia de que os socialistas não podem deixar de parte o PP. "Sánchez equivoca-se ao não chamar para o diálogo o PP", reiterou. O programa socialista (ver alguns pontos na caixa) foi enviado só para os partidos com os quais o PSOE aceita negociar, o que não inclui o PP.

Nas eleições de 20 de dezembro, o partido de Mariano Rajoy elegeu 123 deputados, com o PSOE a não ir além dos 90. O Podemos ficou em terceiro lugar, tendo 69 representantes no Congresso, e o Ciudadanos elegeu 40. Há ainda 28 deputados de outros partidos. Depois de o primeiro-ministro ter recusado ir ao debate de investidura por não ter apoios suficientes, Felipe VI nomeou Sánchez. Para ser eleito, o socialista precisa da maioria absoluta na primeira votação (176 votos) ou da maioria simples (mais votos a favor do que contra) na segunda.

Encontros

O ministro da Saúde, Alfonso Alonso, confirmou ontem que Rajoy aceitou encontrar-se amanhã com o líder socialista - ainda não foram divulgadas as horas. O convite de Sánchez para uma reunião no Congresso terá sido feito no domingo, com este a dizer ontem de manhã que ainda não tinha recebido confirmação. Rivera continua entretanto a tentar fazer de mediador entre PSOE e PP, tendo marcado um encontro com Rajoy para quinta-feira.

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