Cérebro dos atentados esteve por trás de quatro ataques falhados em França

Corpo foi identificado através das impressões digitais e estava crivado de balas

Abdelhamid Abaaoud terá estado por trás de quatro das seis tentativas de atentado falhadas em França desde a primavera de 2015. O 'modus operandi' era sempre o mesmo, explicou Bernard Cazeneuve, ministro do Interior francês: planeamento, a partir do estrangeiro, de ações violentas perpetradas pelos jihadistas saídos de países europeus, formados para manejar armas e depois reenviados para efetivar os atentados.

Bernard Cazeneuve que falou aos jornalistas, na sequência do comunicado da procuradoria francesa que identificou o jihadista belga como um dos mortos no raide de Saint-Denis, garantiu que não existiu qualquer comunicação de países europeus referindo-se à possibilidade de o cabecilha dos atentados de Paris estar na Europa. "Só a 16 de novembro os serviços secretos de um país fora da Europa nos comunicou ter tido conhecimento da sua presença na Grécia".

Oficial: cérebro dos atentados foi crivado de balas

Abdelhamid Abaaoud, o alegado organizador dos atentados em Paris, foi "formalmente identificado como um dos mortos no decorrer do assalto" em Saint-Denis, informou comunicado da procuradoria francesa.

"Trata-se do corpo descoberto no apartamento, crivado de projéteis", precisa a declaração.

O jihadista belga foi identificado pelas autoridades através da comparação das impressões digitais.

Inicialmente, pensava-se que Abdelhamid Abaaoud estaria na Síria, mas à medida que as investigações avançaram tornou-se claro para as autoridades francesas que Abaaoud tinha conseguido regressar à Europa. O jihadista deixou a Bélgica em 2014 para se juntar ao Estado Islâmico e sabia-se apenas que, pelo menos uma vez desde então, regressar ao continente europeu.

Na noite passada, o procurador François Molins referiu que a operação em Saint-Denis tinha sido lançada com base em informações fornecidas por uma testemunha, que levaram à instalação de escutas telefónicas e vigilância policial na área.

A identificação do corpo levou mais tempo do que o esperado porque - conforme já tinha revelado quarta-feira o comandante-adjunto da unidade de elite antiterrorismo - o terceiro andar do número 8 na Rue du Corbillon, onde teve lugar o raide, colapsou. A outra vítima mortal da operação foi uma mulher que se fez explodir durante o cerco. Apesar de a sua identidade ainda não ter sido confirmada, os meios de comunicação social franceses adiantaram que se trata de Hasna Aitboulahcen, prima de Abaaoud. A veracidade desta informação foi atestada esta quinta-feira por fontes policiais.

Abdelhamid Abaaoud é considerado um dos terroristas belgas mais perigosos do Estado Islâmico, tendo sido desde o início a "melhor aposta" dos franceses no que diz respeito à atribuição da responsabilidade dos atentados. Tem nacionalidade belga, mas as suas origens são marroquinas. Em janeiro de 2014, terá mesmo levado o irmão mais novo, Younes, para a síria, recrutando-o para o Estado Islâmico.

Com Abaaoud fora de cena, as operações da polícia devem agora centrar-se em Salah Abdeslam e num segundo terrorista em fuga, que ainda não foi identificado. "Estamos a tentar determinar quantos eram. Nada foi posto de lado. Existe uma teoria forte de que haverá mais um, mas até podem ser mais", disse uma fonte francesa à agência Reuters. Segundo as imagens de videovigilância, no carro com Abdeslam e o seu irmão Brahim, que se fez explodir junto ao café Comptoir Voltaire, estava na noite dos atentados mais um indivíduo que permanecerá a monte.

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