Portugal lidera ocorrências no Sul da Europa

Portugal é, dos cinco países do Sul da UE, o mais pequeno, mas o que, entre 1980 e 2013, mais ocorrências com fogos florestais registou

Tendo em conta a sua área, Portugal é, no Sul da Europa, o país com mais ocorrências com fogos florestais. É o que dizem os dados enviados à UE por Portugal, Espanha, França, Itália e Grécia relativos ao período entre os anos 1980 e 2013, disponíveis no site da Agência Europeia do Ambiente (AEA). É isso que constatam também dois especialistas em fogos florestais ouvidos pelo DN, Xavier Viegas e Luciano Lourenço, da Universidade de Coimbra.

No referido período, o pico das ocorrências foi em 2005, com um registo total de 75 382 para Portugal, Espanha, França, Itália e Grécia e, desse número, 35 697 foram portuguesas. No que toca a hectares ardidos, o pico foi no ano de 1985, com um total de 984 188 hectares ardidos nos cinco países do Sul da UE. Desses, a maioria - 484 476 hectares - pertenciam a território espanhol, 146 254 hectares a território português. O pico da área ardida para Portugal foi no ano de 2003, com 425 726 hectares ardidos no país. O total nesse ano para os cinco países foi de 742 498 hectares.

"Isto, em parte, tem que ver com a forma como são contabilizadas as ocorrências. Nalguns países só são contabilizados incêndios que atinjam mais de 1 hectare. Portugal contabiliza tudo o que são inícios de incêndios como ocorrências e isso faz com que registe mais", diz ao DN Xavier Viegas, professor e investigador do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais da Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial . O especialista, admite, porém, que "o número de ocorrências por km2 e por habitante é elevado dada a dimensão que tem o país".

Luciano Lourenço, um dos autores do estudo "Grandes Incêndios Florestais em Portugal", das universidades do Minho e Coimbra, refere, por seu lado, que "descontando aquilo que se entende por incêndio vemos um comportamento diferente de Portugal em relação aos outros países. O número de ocorrências é mais elevado do que o dos outros países, algo que não se justifica dado que a nossa área [92 212 km2] é menor do que a dos outros". Por isso, refere, "algo estranho se passa".

No entender deste especialista "é preciso uma mudança completa do paradigma dos incêndios. É um problema social. O combate devia ser o último recurso, pois não é o combate que resolve. Não é possível ter um bombeiro em cada casa, eucalipto, já para não falar dos meios aéreos e seu custo". Luciano Lourenço diz que a legislação existe mas "não é aplicada ou é subvertida", dando como exemplo as faixas de segurança à volta das casas. E que o Estado devia ter em atenção que "os territórios do interior do país não têm população para geri-los".

Xavier Viegas, por seu lado, nota que "devia haver maior interação com a população para os dias de elevado risco. Em Espanha, onde estudámos algumas regiões, nos dias de maior risco há menos ocorrências e aqui é o contrário". Deve haver uma alteração, mas não só por via da legislação, que "já proíbe muitas coisas mas também por via da sensibilização da população". O especialista considera importante que haja mais "faixas de segurança, melhores condições de segurança para que as pessoas não tenham que fugir como neste caso. O governo deveria preparar as populações para se autodefenderem. E devia haver melhor comunicação entre autoridades e populações".

Quanto à vegetação de Portugal e dos outros países, Luciano Lourenço refere que "os eucaliptos têm que ver com grandes projeções a muitos km de distância, provocando cenários apocalípticos". Xavier Viegas refere que os outros até "podem ter o mesmo tipo de vegetação, mas têm outras condições climatéricas, porque nós temos falta de humidade e isso pode fazer a diferença".

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.

Relacionadas

Últimas notícias

Conteúdo Patrocinado

Mais popular

  • no dn.pt
  • Mundo
Pub
Pub