16 suspeitos detidos, um deles foi ferido. Salah Abdeslam escapou à polícia

Não foram encontradas armas nem explosivos. Salah Abdeslam está em fuga e segue na direção da Alemanha

As 19 operações policiais que decorreram no domingo à noite na região de Bruxelas saldaram-se em 16 detenções, mas o suspeito mais procurado, Salah Abdeslam, não foi encontrado, segundo um porta-voz da procuradoria federal belga.

De acordo com a imprensa belga, que cita fontes da investigação, os esforços da polícia estiveram concentrados em especial na zona de Liége, local onde Salah Abdeslam foi "formalmente identificado" pela polícia antibanditismo.

Abdeslam foi avistado num BMW, numa avenida nos arredores de Liége, às 19:30 (horal local) e entrou em fuga em direção à Alemanha. A polícia não o conseguiu deter.

No final da operação, numa conferência de imprensa sem direito a perguntas dos jornalistas, o magistrado belga Eric van Der Sypt precisou que foram detidos 16 suspeitos e que um deles ficou ferido. A identidade dos detidos não foi revelada. Apenas foi dito que Salah Abdeslam não estava preso. Sobre a fuga noticiada pela imprensa belga, nem uma única palavra.

Um dos detidos foi o condutor de um veículo que tentou abalroar a polícia e foi ferido por disparos das autoridades, em Molenbeek, mas o porta-voz da procuradoria salientou não se saber ainda se está relacionado com um ato terrorista.

"Nem armas nem explosivos foram encontrados", revelou Eric van Der Sypt que precisou o número de casas revistadas; ao todo 22 imóveis foram alvo de buscas domiciliárias (19 na zona de Bruxelas e três em Charleroi).

Segundo o jornal La Libre, na Rua "du Midi" foram detidos "seis terroristas" tendo um deles ficado ferido durante a operação policial nesta zona.

Em Dampremy, Charleroi, uma centena de polícias cercou uma casa na rua Arthur Decoux e deteve um suspeito. Outras duas casas foram também revistadas.

Em Bruxelas, as operações decorreram em Molenbeek St. Jean, Anderlecht, Jette, Schaerbeek, Woluwe-Saint-Lambert e Forest. Na zona de Molenbeek St. Jean, na rua "de la Carpe", as unidades especiais de polícia revistaram a casa de um tio de Abdeslam. Segundo o La Libre, o homem de nome Falkland é irmão da mãe de Salah Abdeslam. Foi nesta zona, durante as buscas a um bar, que um suspeito tentou escapar à polícia que disparou duas vezes contra o carro em fuga. O homem foi intercetado pouco tempo depois - é o suspeito que ficou ferido.

As operações policiais desenrolaram-se entre as 19.00 e as 22.00 locais (menos uma hora em Lisboa). Ao longo da noite vários media e cidadãos belgas foram transmitindo pormenores do que se estava a passar, até que a polícia federal usou o Twitter para pedir a todos que se abstivessem de publicar informações e fotografias, sobretudo nas redes sociais, por questões de segurança. O apelo registou uma adesão imediata e inédita. No fim as autoridades agradeceram.

Hoje, Bruxelas entrará no terceiro de dia de alerta máximo. As autoridades belgas mantiveram o nível 4, o topo da escala de alerta, por suspeita de ataques terroristas em várias zonas da capital belga, que abriga as instituições da UE. O impacto das medidas impostas no âmbito do alerta máximo será hoje mais notório. O metro continua encerrado e as escolas, as creches, as universidades e demais edifícios públicos não abrem.

Ruas quase desertas

Ontem, em Bruxelas, houve menos pessoas na rua, "comparando com um domingo normal", diz ao DN o funcionário de um dos poucos cafés da Galerie Royal que resistiram abertos. "Houve funcionários que ficaram um bocado stressados e não vieram trabalhar. Mas a verdade é que também há muito menos clientes e por isso conseguimos gerir", conta, acrescentando que "não é [pelo terrorismo] que vamos parar de viver. Temos de pagar a renda e trabalhar". Uma das funcionárias do café é uma portuguesa de Tomar. Foi trabalhar, embora com receio. "Pode acontecer qualquer coisa sem estarmos à espera. Eles não avisam quando vão atacar", confessa Raquel Coelho, que trabalha ao lado da Grand Place.

"Temos de ter coragem"

Os agentes da unidade de elite da polícia belga e os militares vão manter-se em pontos considerandos sensíveis da capital. Estão vigilantes e em maior número do que os turistas. Perante os olhares de todos, ontem, numa das portas de entrada da Grand Place detiveram um homem que circulava por ali. O sorriso irónico deste, enquanto é algemado, contrastava com o nervosismo de quem passa.

Ainda assim, quem anda na rua insiste que "não há que ter medo". É o caso de Michael Berg, um francês, de Paris, que veio a Bruxelas em turismo e recusa-se a "mudar de vida por causa do terrorismo. É essa intenção que eles têm". Mas quando questionado se sente medo, encolhe os ombros. "Temos de ter coragem."

"A tensão nas ruas sente-se", refere um belga, de 22 anos, que veio com a namorada a Bruxelas, "a pensar que seria possível visitar o pequeno mercado" de uma praça no centro da cidade. "Como não é, vamos embora", afirma. A caminho da Gare Central, para apanhar o comboio, é travado por militares. "Não pode passar. Se quiser entrar an estação tem de atravessar aquela pequena praça e à sua esquerda encontra uma segunda entrada", aponta-lhe o militar, erguendo a mão esquerda. A outra segura uma metralhadora. Mais de uma centena de tropas e polícias militarizados concentram-se na entrada sul da Gare Central. Trata-se da suspeita de uma mala armadilhada. "Estamos a inspecionar. E depois talvez possamos deixar passar as pessoas", diz ao DN o militar que marca uma posição tática, durante a operação de desminagem.

Ontem à noite ouviam-se as sirenes de emergência policial e as instituições europeias encontravam-se às escuras. As reuniões não essenciais foram canceladas mas mantém-se a realização do Eurogrupo de hoje. A Comissão Europeia restringiu o acesso aos seus edifícios e, tal como o Parlamento Europeu (que hoje começa a sua reunião mensal em sessão plenária em Estrasburgo-França), recomendou o teletrabalho ao pessoal não indispensável.

[Notícia atualizada às 08:30]

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