May lança brexit no dia 29 mas luta para manter unido o reino

Protesto pró-UE diante do Parlamento britânico em Londres. Proteção dos direitos dos imigrantes comunitários tem gerado polémica

Governo britânico vai enviar carta ao Conselho Europeu a ativar o artigo 50 do Tratado de Lisboa, que dá início ao processo de saída.

Foi em Swansea, no País de Gales, que Theresa May prometeu "obter o melhor acordo possível" com a União Europeia após acionar o artigo 50 do Tratado de Lisboa, que dá início ao processo da saída do Reino Unido. A primeira-ministra britânica já anunciara que tomaria a decisão no fim do mês, mas ontem ficámos a saber a data: 29 de março. A partir desse dia, Londres tem dois anos para negociar a futura relação com Bruxelas e com os 27 outros países da UE. Até lá, May tem outro desafio: manter o reino unido, no verdadeiro sentido da palavra, diante dos desejos separatistas da Escócia, que já disse querer realizar novo referendo à independência, uma atitude que os nacionalistas da Irlanda do Norte gostariam de imitar.

No referendo de 23 de junho, o brexit venceu com quase 52% dos votos a nível nacional, mas tanto na Escócia como na Irlanda do Norte a maioria dos que foram às urnas optaram pela permanência na UE. Com o momento da saída cada vez próximo, os nacionalistas escoceses da primeira-ministra Nicola Sturgeon já anunciaram a intenção de realizar novo referendo à independência. A ideia era realizar a consulta antes de o brexit se concretizar, na esperança de não ter de pedir nova adesão ao bloco. Mas Londres já deixou claro que não irá autorizar que tal aconteça.

Na Irlanda do Norte, o receio é que quando o Reino Unido sair da UE haja um reforço da fronteira com a Irlanda. Com os nacionalistas do Sinn Féin a pedirem um referendo sobre a saída do Reino Unido e a união com a Irlanda "o mais rapidamente possível". Uma possibilidade que os unionistas estão longe de aceitar. E que também não agrada à maioria dos norte-irlandeses - uma sondagem Ipsos MORI realizada em setembro mostrava que 63% querem continuar no Reino Unido.

Ontem, Theresa May iniciou um périplo pelas quatro nações do Reino Unido para, por um lado, apresentar a sua estratégia para o brexit e, por outro, ouvir "as pessoas de norte a sul" antes de acionar o artigo 50. Em declarações ao The Guardian, o primeiro-ministro do País de Gales, primeira etapa de May, explicou que rapidamente Londres vai substituir Bruxelas "no coração dos eleitores frustrados por verem os seus assuntos geridos de fora".

Precisamente em Bruxelas, os líderes europeus disseram-se ontem prontos para iniciar o processo de saída do Reino Unido. O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk explicou que irá enviar aos 27 as linhas mestras que irão guiar as negociações com Londres nas 48 horas seguintes a receber a carta de May no dia 29. As negociações, que só podem começar oficialmente depois de um Estado acionar o artigo 50, deverão assim começar no início de maio, depois de uma cimeira europeia especial prévia para acertar a estratégia dos 27.

May espera ter o acordo concluído em 18 meses, de modo a que este seja votado pelo Parlamento antes do brexit. Mas Londres - que pretende manter laços económicos próximos com a UE, enquanto recupera o controlo sobre, por exemplo, a imigração - admite a possibilidade de sair sem acordo, o chamado hard brexit.

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