Macron resiste aos ataques face a um Fillon apagado num debate a cinco

François Fillon, Emmanuel Macron, Jean-Luc Mélenchon, Marine Le Pen e Benoît Hamon antes do início do debate na TF1 e LCI

Durante mais de três horas, os cinco principais candidatos às presidenciais discutiram sobre sociedade, economia e o papel da França no mundo. Além do líder do En Marche!, os ataques tiveram como alvo Marine Le Pen

O centrista Emmanuel Macron, do En Marche!, era o alvo a abater no primeiro debate entre os candidatos às presidenciais francesas: não só era o mais bem colocado para enfrentar na segunda volta eleitoral a líder da extrema-direita, Marine Le Pen, como era o menos experiente neste tipo de confrontos televisivos. No final, Macron resistiu aos ataques, com o principal adversário, o candidato d"Os Republicanos, François Fillon, praticamente desaparecido durante a primeira hora e meia de debate na TF1 e LCI e o socialista Benoit Hamon a não conseguir destacar-se pela diferença. Todos procuravam conquistar os cerca de 40% de eleitores ainda indecisos.

Após uma primeira hora que mais parecia cinco monólogos, com cada um dos candidatos a limitar-se a responder às perguntas dos jornalistas Gilles Bouleau e Anne-Claire Coudray sem entrar em debate com os adversários, começaram os esperados ataques a Macron. Primeiro foi Le Pen, que lembrou que ele apoiava o uso do burkini (traje de banho usado pelas muçulmanas que deixa apenas o rosto, as mãos e os pés a descoberto), depois o socialista Hamon, a juntar-se à líder da extrema-direita, para questionar o financiamento do seu movimento e ligação aos lóbis.

Em relação ao primeiro tema, Macron, respondeu a Le Pen dizendo que o burkini não é um problema de ordem pública, não algo que deva ser usado para dividir os franceses. E deixou o aviso: "Você mente aos franceses ao deformar a verdade." Quanto ao financiamento da candidatura, lembrou que é o único que não beneficia de apoios públicos, tendo deixado o Partido Socialista (PS) para criar o seu movimento e dependendo apenas de doações. Questionado por Hamon sobre a identidade dos doadores, lembrou que isso está protegido por lei.

Enquanto ambos discutiam, o candidato mais à esquerda presente no debate, Jean-Luc Mélenchon, brincou: "Cá está, um debate no PS." Depois, quando Le Pen insistiu na ligação aos lóbis, Macron desafiou-a a apresentar queixa em tribunal se acredita que há crime - lembrando que não é ele que é alvo de processos judiciais e assim atacando a líder da Frente Nacional e Fillon, ambos investigados por empregos fictícios.

Em toda a primeira parte do debate, dedicado aos temas de sociedade (educação, imigração ou moralização da vida pública), Fillon esteve quase desaparecido. De tal forma que, quando foi o intervalo, tinha falado menos dois minutos que os adversários. Mas a segunda parte estava dedicada à economia, com uma troca de palavras sobre as 35 horas de trabalho, e Fillon a ter que se defender por não ter feito o que agora promete quando foi primeiro-ministro. Le Pen deixou-os falar.

Às quase duas horas de debate, o candidato d"Os Republicanos lançou o primeiro ataque contra a líder da extrema-direita: "A verdadeira assassina em massa do poder de compra dos franceses é Le Pen, com a saída do euro." Na terceira parte do debate, sobre o papel da França no mundo e a questão do terrorismo, ambos trocaram também palavras, com Fillon a dizer claramente que ela nunca terá dinheiro suficiente para fazer o que quer a nível da defesa e com Le Pen, a gritar por cima dele, que a segurança é importante.

No final, depois de um longo discurso de Macron sobre o papel de França, Le Pen acusou-o de não dizer nada e o candidato centrista respondeu: "Não percebe que, ao contrário de si, não quero pactuar com [o presidente russo, Vladimir] Putin, ao contrário de si, quero uma política francesa forte, mas responsável, ao contrário de você, quero uma França forte mas na Europa."

O debate, o primeiro em França antes da primeira volta de umas presidenciais, começou eram 20.05 em Lisboa com a resposta à pergunta: "Que presidente seria?" Le Pen lembrou que quer ser "a presidente da República francesa", não aspirando a "administrar o que se tornou numa região vaga da União Europeia", nem ser "a vice-chanceler de [Angela] Merkel". Macron recordou o seu percurso profissional, dizendo liderar um projeto "que tem confiança no país, na sua energia", que é "justo, eficaz" e que "traz esperança". Também Fillon falou do seu projeto, um que prepara "há muito tempo com milhares de franceses", dizendo que é o único capaz de ter uma "maioria coerente e estável".

Antes Fillon criticou o facto de o debate ser só a cinco tendo a TF1 escolhido apenas os que têm mais de dez pontos nas sondagens: "Com esta regra, não teria participado no debate da primária da direita e do centro", lembrou. Todos os 11 candidatos voltam a debater frente às câmaras de televisão a 4 de abril na BFM-TV e a 20 de abril, três dias antes da primeira volta das presidenciais francesas, na France 2.

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