Karim Cheurfi estava sinalizado por radicalização desde o final de 2016

Autor do atentado nos Campos Elísios já tinha sido condenado em 2001 a 15 anos de prisão, por três tentativas de homicídio

Karim Cheurfi, o alegado autor do atentado nos Campos Elísios, em Paris, na noite de quinta-feira, estava sinalizado pelas autoridades desde o final de 2016 por radicalização, avança o Le Monde.

Em dezembro do ano passado, foi referenciado por ter manifestado vontade de matar polícias para vingar os muçulmanos mortos na Síria. Também neste período, foi denunciado às autoridades por ter dito que procurava armas e queria entrar em contacto com um homem que dizia ser um combatente do Estado Islâmico na Síria e no Iraque, tendo sido então aberto um inquérito na polícia judiciária de Meaux, indica o jornal francês.

Em janeiro de 2017, Cheurfi foi então inscrito no ficheiro onde constam os nomes dos indivíduos que estão sob vigilância por radicalização de caráter terrorista, um ficheiro que, recorda o Le Monde, foi criado em março de 2015, meses depois do ataque à redação do Charlie Hebdo.

No passado mês de fevereiro, tal como tinha avançado a agência AP, citando responsáveis franceses sob anonimato, Karim Cheurfi foi detido e foram realizadas buscas na casa onde vivia, mas não foram encontradas quaisquer provas que o associassem a atividades terroristas. E só em março passado Cheurfi ficou sob vigilância da DGSI, a direção-geral de segurança do interior francês; o inquérito que tinha sido aberto pela judiciária de Meaux passou então para a procuradoria antiterrorista de Paris.

Porém, a perigosidade que representava Karim Cheurfi não foi considerada prioritária pelas autoridades - os perfis como os do suspeito são numerosos e cada vez mais comuns, assinala o Le Monde, acrescentando que a DGSI segue cerca de 2000 indivíduos que estão a tentar entrar em contacto com 'jihadistas' que combatem nas fileiras do Estado Islâmico no Iraque e na Síria.

Segundo a imprensa francesa, o autor do atentado contra agentes da polícia em Paris tinha saído da prisão em 2015 - onde não tinha sido detetado qualquer movimento no sentido da radicalização. Cumpria uma pena de quatro anos de prisão por furto, mas já tinha sido condenado antes a 15 anos de cadeia, por uma tripla tentativa de homicídio em 2001.

Os últimos anos da pena por roubo cumpria-os em liberdade condicional, que terminava no outono de 2017. Mas, de acordo com informações recolhidas pelo Le Monde, Cheurfi não respeitava as obrigações de se apresentar perante o juiz, ainda que não tivesse protagonizado "manifestas violações" da pena suspensa.

A radicalização, que terá acontecido de forma rápida e "fulgurante", escreve o Le Monde, acabaria por escapar às forças de segurança. Ontem, junto do corpo de Cheurfi, foi encontrado um papel com uma mensagem manuscrita em defesa do Estado Islâmico, que rapidamente veio reivindicar o ataque. Mas atribuiu-o a "Abu Yussef, 'o Belga'. Ora, esta ligação à Bélgica já foi desmentida, quer pelo primeiro-ministro francês quer pelo governo belga, que acusou os 'jihadistas' de darem um nome falso para reivindicar o atentado.

Os familiares de Karim Cheurfi, que tinha vivia em Livry-Gargan (Seine-Saint-Denis), nos subúrbios de Paris, e tinha 39 anos, estão esta sexta-feira a ser interrogados, um procedimento de rotina que acontece sempre nestas situações.

Também esta sexta-feira, as autoridades belgas esclareceram que o homem belga implicado por suspeitas de ligação ao tiroteio de quinta-feira à noite em Paris e que, entretanto, se entregou não está relacionado com o atentado nos Campos Elísios. "Esse homem veio à polícia ontem à noite depois de se ver aparecer nas redes sociais como o principal suspeito relacionado com os factos de ontem", informou um procurador belga na cidade de Antuérpia, citado pela agência Associated Press, que recusou ser identificado. O mesmo responsável deixou claro que o homem "não faz parte de uma investigação de terrorismo". Ainda assim, as eventuais ligações de Cheurfi à Bélgica estarão a ser alvo de análise pela polícia.

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