"Israel continua a estender a mão em paz como em 1948 e 1967"

A embaixadora de Israel, Tzipora Rimon

A embaixadora de Israel, Tzipora Rimon, explica ao DN a importância da Guerra dos Seis Dias.

Que memória guarda o povo israelita da Guerra dos Seis Dias?

Ainda hoje, 50 anos após essa guerra, a sua memória permanece muito forte para o povo israelita. Em 1967, Israel não acordou um dia e decidiu iniciar uma guerra. Acordou um dia e descobriu que tinha de se defender de uma guerra que os países árabes preparavam contra si. Para Israel foi uma guerra de defesa existencial e eu lembro-me claramente, como jovem aluna de liceu, do ambiente de ansiedade durante aquele período. E do enorme alívio que sentimos, após a guerra, e do entusiasmo e emoção em poder revisitar os lugares sagrados mais importantes para o povo judeu, como o Muro das Lamentações em Jerusalém, cujo acesso nos foi proibido durante 19 anos.

O que significa aquele conflito para os jovens 50 anos depois?

Historicamente o conflito não começou em 1967. Cinquenta anos antes, a declaração de Balfour havia consagrado o direito do povo judeu a um lar nacional na sua terra histórica. Em 1947 a Assembleia Geral da ONU adotou a resolução da partilha: a criação de um Estado judaico e de um Estado árabe. A liderança judaica aceitou a resolução e declarou, em maio de 1948, o estabelecimento do Estado de Israel, enquanto uma vasta maioria dos árabes jurou nunca reconhecer o Es-tado judaico, rejeitou o plano de partilha e declarou guerra contra o novo Estado de Israel. O conflito continuou com a Guerra dos Seis Dias, a Guerra do Yom Kippur e várias ondas de terrorismo e violência. Mais tarde, Israel embarcou no caminho das negociações de paz com os seus vizinhos árabes e apesar de ainda não termos conseguido concretizar esse desafio, os jovens têm perspetivas das oportunidades para alcançá-lo.

50 anos depois, como é a relação de Israel com os vizinhos árabes?

O desejo de Israel pela paz com os vizinhos árabes está formalizado na Declaração da Independência de 1948. No final da Guerra de 1967, anunciámos estar preparados para negociar e manter um compromisso para a paz. A Cimeira da Liga Árabe em Cartum respondeu, uma vez mais, com a total rejeição de Israel. Entretanto, o Egito e a Jordânia aceitaram Israel com tratados de paz formalizados em 1979 e 1994, respetivamente. Oportunidades de cooperação estão a ser desenvolvidas nos últimos anos no Médio Oriente. O primeiro-ministro Netanyahu falou desta mudança em várias ocasiões, dizendo que os países árabes "não nos veem mais como inimigos mas, cada vez mais, como aliados contra uma ameaça comum. Isso aproxima-nos e pode ajudar a pavimentar caminhos para a paz".

A Guerra dos Seis Dias ainda tem impacto em Israel. Após a visita de Trump há hipótese de retomar o diálogo com os palestinianos?

Israel continua a estender a mão em paz, como aconteceu em 1948 e 1967. A paz virá quando a liderança palestiniana entender que o caminho para alcançar os seus objetivos não é através do ódio, da violência e da rejeição liminar de Israel, mas sim através de negociações diretas, sem pré-condições, conquanto com disponibilidade para concessões críticas por ambas as partes. Israel agradeceu os esforços do presidente Trump para retomar o processo de paz com os palestinianos. Penso existir uma nova atmosfera encorajadora que pode trazer uma reabertura de negociações diretas bilaterais entre os dois lados.

Quais os principais desafios para o futuro em Israel?

Durante os seus anos de existência, Israel registou êxitos impressionantes na indústria de ponta, investigação científica e médica e na agricultura. Mas, com todos esses sucessos e crescimento económico, ainda enfrenta alguns desafios e procura constantemente soluções. Um dos desafios é o combate aos altos preços do setor imobiliário; outro é continuar a baixar as despesas que dedicamos à defesa e segurança e, finalmente, o desafio que acompanha Israel há muitos anos e extremamente importante no futuro é completar as negociações de paz, alcançando o fim do conflito.

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