França quer destruir o centro financeiro de Londres, diz enviado da 'city' à UE

O representante da cidade de Londres encarregue da pasta do 'Brexit' enviou uma carta ao Governo britânico na qual considera que a França está "ativamente a perturbar e quer destruir" o centro financeiro londrino, noticia a imprensa.

De acordo com a edição de hoje do jornal britânico Daily Mail, que publica o memorando enviado ao Governo britânico pelo representante da cidade de Londres encarregue de negociar o 'Brexit' com as outras capitais europeias, a França está a tentar convencer vários banqueiros e empresas a mudarem a sede para Paris.

"O que estamos a assistir é a um empreendimento coletivo, partilhado por toda a França, tornado mais vertiginoso e assertivo pela eleição de Macron", escreve o antigo ministro da Administração Interna britânico Jeremy Browne.

No final de uma visita de três dias à França e ao Luxemburgo, entre 04 e 06 de julho, durante a qual se reuniu com os responsáveis do banco central, ministério das Finanças e deputados, Browne escreveu que as autoridades francesas estão "ativamente a planear e [querem] destruir" o multimilionário centro financeiro londrino.

Só em impostos pagos ao Estado britânico, a existência da 'city' representa 66 mil milhões de libras, mais de 75 mil milhões de euros, o equivalente a mais de um terço de todo o PIB português.

"Eles são cristalinos sobre o seu objetivo final, que é enfraquecer o Reino Unido e a degradação da cidade de Londres", escreve Browne, acrescentando que há representantes franceses em Londres a oferecer enormes quantias de dinheiro para que as empresas financeiras se mudem para Paris.

Lembrando que o ministro das Finanças francês disse que a saída do Reino Unido da União Europeia era "uma fabulosa oportunidade para a França", Browne escreve que os banqueiros franceses são igualmente beligerantes.

"A reunião no banco central da França foi das piores que tive em qualquer sítio da União Europeia; eles são a favor da mais dura forma de 'Brexit'; querem perturbação e procuram ativamente a desagregação da prestação dos serviços financeiros".

Na carta, Browne escreve ainda que "as claras mensagens que surgem de Paris não são apenas os devaneios de alguns membros no topo do governo e do banco central francês; a França não podia ser mais clara sobre as suas intenções; eles encaram o Reino Unido e a cidade de Londres como adversários, e não como parceiros".

Jeremy Browne alertou ainda que, nos contactos que manteve com as outras capitais europeias, várias deram conta do sentimento de marginalização por não serem tão duros como a França e salientou que estes pontos de vista não marcam apenas as declarações duras, típicas do princípio de qualquer negociação, que depois dão lugar a compromissos.

O setor financeiro do Reino Unido representa quase 12% das receitas fiscais do país, e emprega mais de 7% do total de empregados.

O democrata liberal Jeremy Browne foi ministro do Governo de coligação de David Cameron e Nick Clegg, tendo feito campanha pela permanência do Reino Unido na União Europeia.

Depois de perder o lugar nas eleições, foi nomeado representante da cidade de Londres para garantir que a voz da capital era ouvida na Europa, o que já o levou a visitar 26 países em 18 meses, segundo o Daily Mail.

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