Estado acusa Breivik de querer difundir ideologia neonazi a partir da prisão

Procurador geral diz que Breivik está a seguir o roteiro que traçou no manifesto que publicou antes de realizar os ataques

O Estado norueguês, condenado por "tratamento desumano" de Anders Behring Breivik, justificou hoje as restrições aos contactos do assassino neonazi acusando-o de querer difundir a sua ideologia a partir da prisão, incluindo através de pequenos anúncios românticos.

No segundo dia do julgamento do recurso do Estado face à sua condenação, o procurador-geral, Fredrik Sejersted, explicou que Breivik, autor do assassínio de 77 pessoas em 2011, segue o roteiro descrito no seu manifesto divulgado pouco antes dos ataques.

"Ele terminou a fase de combatente ativo e agora trabalha para o seu projeto enquanto ideólogo e a constituir redes", afirmou Sejersted.

"Portanto, há razões para crer que o projeto ideológico de Breivik decorre como previsto", adiantou.

O extremista de direita, 37 anos, pôs a possibilidade de utilizar "pequenos anúncios românticos nacional-socialistas" como um meio de difusão ideológica, na medida em que o seu conteúdo é protegido pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, infere-se de uma carta que, como toda a sua correspondência, foi analisada pelas autoridades penitenciárias.

O julgamento do recurso está a decorrer num tribunal improvisado no ginásio da prisão de alta segurança de Skien, onde Breivik está detido há três anos em isolamento, facto que levou a justiça norueguesa em primeira instância a considerar que o extremista era alvo de "tratamento desumano".

Na sua exposição inicial, Sejersted procurou justificar o rigoroso regime de prisão imposto a Breivik com a sua perigosidade e pela necessidade de o impedir de construir uma rede suscetível de realizar novos ataques.

Breivik foi condenado por assassínio em massa e terrorismo em agosto de 2012, por ter matado oito pessoas na explosão de uma bomba perto da sede do governo em Oslo e, depois, 69 outras a tiro, na maioria adolescentes que participavam num acampamento da juventude trabalhista.

A sua pena de 21 anos de prisão pode ser prolongada enquanto for considerado perigoso.

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