Trump acusado de fazer "jogada nixoniana" que lembra o Watergate por despedir diretor do FBI

Trump está a ser comparado a Richard Nixon, o presidente dos EUA que se despediu após ser revelado um escândalo político

O presidente Donald Trump está a ser comparado ao antigo presidente dos Estados Unidos Richard Nixon por ter decidido despedir James Comey, o diretor do FBI e homem responsável pela investigação à interferência russa nas eleições presidenciais de 2016. Há mais de 40 anos, Nixon despediu Archibald Cox, o procurador especial que investigava o caso Watergate, que mancharia para sempre a sua reputação.

Archibald Cox foi despedido em outubro de 1973, numa data que ficou conhecida como o "Massacre de Sábado à Noite". Como protesto, o procurador-geral Elliot Richardson e o vice procurador-geral William Ruckelshaus pediram a demissão no mesmo dia.

O despedimento foi entendido pelo público como uma tentativa para abafar o caso Watergate. Ainda assim, o escândalo de escutas ao mais alto nível provocou a queda do líder e, em 1974, Nixon tornou-se o único presidente norte-americano a demitir-se do cargo.

"Esta é uma jogada nixoniana obviamente feita para afastar o homem que estava a investigar a colusão com uma potência estrangeira", disse esta quarta-feira Malcom Nance, autor de um livro sobre a interferência russa nas eleições norte-americanas, citado pelo The Guardian.

Comey era visto como o homem que poderia derrubar Donald Trump, por ser responsável por uma das investigações às ligações entre a campanha de Trump e a Rússia.

A comparação foi feita também de um modo cómico pela biblioteca e museu Richard Nixon, que publicou no Twitter: "Facto engraçado: O presidente Nixon nunca despediu o diretor do FBI".

Na carta em que Trump explica porque despediu Comey - uma decisão apoiada pelo procurador geral Jeff Sessions - o presidente diz que o diretor do FBI assegurou três vezes que Trump não está a ser investigado, segundo o New York Times. Contudo, Comey afirmou publicamente que o FBI está a investigar membros da campanha de Trump.

Ex-procurador federal e antigo vice-secretário da Justice, James Comey, de 56 anos, esteve muito tempo ligado aos republicanos, mas foi nomeado pelo antigo presidente democrata, Barack Obama, para a direção do FBI. Quando tomou posse, a 20 de janeiro, Donald Trump pediu-lhe que permanecesse em funções.

Chuck Schumer, o líder dos democratas no Senado, disse que o despedimento deixa a suspeita de um "encobrimento". "Se o procurador-geral adjunto não nomear um procurador especial independente, todos os americanos vão suspeitar, com razão, que a decisão para despedir o diretor Comey foi parte de um encobrimento", disse Schumer.

"O choramingas Chuck Schumer declarou recentemente 'já não tenho confiança nele (James Comey)' E agora finge-se tão indignado", respondeu o presidente Trump, no Twitter.

James Comey foi muito criticado pelos democratas após as eleições. O responsável é frequentemente acusado de ter ajudado Donald Trump a vencer, pela forma como lidou com a investigação do FBI ao caso dos emails de Hillary Clinton. A própria candidata democrata responsabilizou diretamente Comey pela sua derrota nas eleições presidenciais.

Ex-procurador federal e antigo vice-secretário da Justice, James Comey, de 56 anos, esteve muito tempo ligado aos republicanos, mas foi nomeado pelo antigo presidente democrata, Barack Obama, para a direção do FBI. Quando tomou posse, a 20 de janeiro, Donald Trump pediu-lhe que permanecesse em funções.

Agora, Trump diz que Comey será substituído "por alguém que vai fazer um trabalho muito melhor".

O último presidente dos EUA a despedir um diretor do FBI foi Bill Clinton, que dispensou William Sessions em 1993, por irregularidades financeiras.

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