De luto pela morte do irmão Ramón, Raúl Castro cumpre oito anos no poder

Raúl Castro numa foto de arquivo

'Mongo', como era conhecido, tinha 91 anos, mais dois do que o ex-líder da revolução cubana, Fidel Castro, e sete do que o atual presidente

A semelhança entre Ramón Castro e o irmão Fidel era tal que era habitual as pessoas na rua pedirem-lhe para tirar fotografias, pensando que o líder da revolução cubana trocara a farda militar pela roupa civil. Mongo, como era conhecido, resolvia a questão lembrando que ele era dois anos mais velho e que por isso era Fidel que se parecia com ele. Ramón, que também colaborou com a revolução mas preferiu dedica-se depois à agricultura e à pecuária, morreu na terça-feira, aos 91 anos, na véspera do oitavo aniversário da chegada oficial ao poder do outro irmão mais novo, Raúl Castro.

A morte do filho mais velho do galego Ángel Castro e da cubana Lina Ruz foi anunciada na terça-feira à noite no noticiário da televisão estatal e num artigo no jornal oficial do Partido Comunista Cubano, Granma. Não foi revelada a causa da morte, nessa mesma manhã, apenas que o corpo foi cremado e que as cinzas serão levadas para Birán, a terra natal dos Castro.

Ramón Castro com o irmão Fidel (com quem era muitas vezes confundido) e as irmãs Angelina e Agustina

Nascido a 14 de outubro de 1924, Mongo (um tipo de feijão) estudou como os irmãos num colégio católico e tirou o curso de Engenharia Agrícola na Universidade de Havana. Segundo o Granma esteve preso pelo regime de Fulgencio Batista em 1953 (ano do assalto ao quartel Moncada, primeira tentativa falhada de golpe de Fidel e Raúl). Durante a revolução, que viria a triunfar no início de 1959, ficou na fazenda da família e ajudou a guerrilha dos irmãos com mantimentos, nunca tendo chegado a pegar em armas.

Depois de Fidel derrubar Batista, esteve à frente de várias empresas estatais da área da agropecuária, tendo também sido assessor dos ministérios da Agricultura e do Açúcar. Pelos serviços prestados, escreveu o Granma, recebeu várias distinções e tinha o título de Herói do Trabalho da República de Cuba. Como os irmãos, foi um dos membros fundadores do Partido Comunista Cubano e foi deputado na Assembleia Nacional.

Ao contrário de Fidel, que deixou de fumar puros (charutos) em 1986, Ramón mantinha o hábito que começara aos 12 anos, seguindo o exemplo do pai. Segundo a Reuters, foi casado com Aurora Castillo e teve cinco filhos. Nos últimos anos, vivia numa quinta nos arredores de Havana.

Raúl quer sair em 2018

A 24 de fevereiro de 2008, menos de dois anos depois de Fidel lhe entregar o poder provisoriamente por motivos de saúde (31 de julho de 2006), Raúl Castro assumia oficialmente a presidência de Cuba. Atualmente com 84 anos, o mais novo dos três irmãos (tinham ainda quatro irmãs) prometeu que deixará o cargo em 2018 - o nome mais falado para lhe suceder desde 2013 é Miguel Díaz-Canel, primeiro vice-presidente do Conselho de Estado.

Nos últimos oito anos, Raúl tem liderado uma série de reformas económicas na ilha, expandindo o setor privado, mas também há mudanças noutros níveis: os cubanos já não são obrigados a pedir autorização para poderem viajar, podem ter computadores e telemóveis e entrar nos hotéis a que antes não tinham acesso. Mas os críticos lembram que nenhuma dessas reformas trouxe mais liberdades polí- ticas ou civis.

A principal mudança é contudo o restabelecimento das relações diplomáticas com os EUA cortadas após a revolução cubana. Depois da reabertura das embaixadas nas respetivas capitais, de dois encontros entre Raúl Castro e o presidente norte-americano, Barack Obama (um deles em Nova Iorque, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas), o próximo momento histórico está marcado para 21 e 22 de março. Pela primeira vez em quase 90 anos, um presidente dos EUA vai visitar Cuba, que continua a exigir o fim do embargo económico.

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