Cuba detém cinco presos políticos que libertara na aproximação aos EUA

A Comissão Cubana dos Direitos humanos, um grupo ilegal mas tolerado, adiantou que os cinco "foram confinados a prisões de alta segurança"

Cinco opositores que tinham sido libertados no processo de aproximação de Cuba aos EUA voltaram a ficar sob custódia, informou hoje um grupo cubano de defesa dos direitos humanos.

Os cinco estão entre um grupo de 53 detidos libertados em 2014 e no início de 2015, quando Washington e Havana decidiram restaurar as relações bilaterais ao fim de cinco décadas de interrupção.

A Comissão Cubana dos Direitos humanos, um grupo ilegal mas tolerado, adiantou que os cinco "foram confinados a prisões de alta segurança na segunda metade de 2015".

No grupo está Vladimir Morera, que foi hospitalizado no seguimento de uma greve de fome iniciada em 9 de outubro. Os EUA apelaram na semana passada à sua libertação.

Os outros que voltaram a ser detidos são Wilfredo Parada Milian, Jorge Ramirez Calderon, Carlos Manuel Figueroa e Aracelio Ribeaux Noa, segundo aquele grupo de defesa de direitos humanos.

Todos os cinco foram presos "em resultado de julgamentos viciados e sem o devido processo", avançou a Comissão.

Os dirigentes de Havana não comentaram. Mas o governo nega por norma que existam presos políticos e que os detidos que existem foram encarcerados por delito comum.

Ao contrário, o grupo de defesa dos direitos humanos garantiu que em 2015 foram detidas 8.616 presos por motivos políticos, muitas das quais libertadas ao fim de algumas horas.

Em 29 de dezembro, Roberta Jacobson, que tem o dossier da América Latina no Departamento de Estado, apelou ao governo do Presidente Raul Castro para que liberte Morera, de quem disse que tinha sido preso por oposição pacífica.

Este opositor, de 44 anos, está internado, com um estado de saúde "muito sério", num hospital da cidade de Santa Clara, devido à sua greve de fome, disseram familiares à AFP na semana passada.

Morera foi sentenciado em abril a quatro anos de prisão por alegadamente ter causado ferimentos pessoais durante um confronto com militantes pró governamentais, durante os quais uma mulher ficou ferida. A sua família nega as acusações.

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