Criança de dez anos com autismo algemada e detida

Agrediu e ameaçou um professor

John Haygood, criança de dez anos com autismo, que frequenta a escola Okeechobee Achievement Acadamey, em Okeechobee, Flórida, EUA, foi algemado e detido na passada semana, após mau comportamento na sala de aula.

A mãe, Luanne Haygood, filmou tudo, e o vídeo tem sido reproduzido por vários meios de comunicação norte-americanos.

"Não sei o que se passa. Não percebeo", diz John, enquanto chora e é algemado e levado para o banco de trás do carro das autoridades.

"Desculpe, tem alguma papelada ou alguma coisa que me possa dizer", ouve-se a mãe da criança dizer aos agentes.

John foi detido na escola por ter agredido um professor, em outubro, com murros e pontapés, que deixaram marcas e arranhões. O incidente ocorreu após a criança, na sala de aula, ter atirado bolas de papel a vários colegas. Quando o professor lhe pediu para sair da aula, começaram as agressões, de acordo com um relatório do Xerife de Okeechobee.

À criança foram dadas "várias oportunidades para mudar o seu comportamento, o que ele não fez", diz também o relatório, de acordo com a CNN. John já havia ameaçado o professor de morte. Isto aconteceu em novembro e o professor falou em apresentar queixa na polícia.

O tipo de autismo de que John sofre pode levar a que o simples facto de alguém lhe tocar lhe cause sofrimento. Mudanças de rotina e a maneira como interagem, ou não, com os outros, também podem afetar os doentes.

John foi expulso da academia em outubro e tinha aulas em casa. Agora, ao voltar à escola para realizar um teste, o incidente aconteceu e foi detido, tendo já sido presente a tribunal. Acabou por passar a noite num centro de detenção juvenil.

Luanne, mãe de John, mostra-se revoltada por nunca ter visto nenhuma informação escrita, nem queixas. "Eu sei o que aconteceu há seis meses. Mas nunca vi mandados, nem queixas. Só sei o que foi dito: que o professor poderia ou não apresentar queixas", diz.

Recentemente, Luanne conseguiu os registos das atividades de John, mas teve de ser a criança a pedi-los às autoridades.

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