Coreia do Norte anuncia primeira bomba H. O mundo duvida mas condena

O teste foi encomendado pessoalmente por Kim Jong-un e aconteceu dois dias antes do seu aniversário

Centros de atividade sísmica detetaram abalo na Coreia do Norte, que terá sido causado pelo teste nuclear, o primeiro com sucesso

A Coreia do Norte anunciou hoje ter conseguido detonar, com sucesso e pela primeira vez, uma bomba de hidrogénio. Se a informação avançada pelo regime de Pyongyang for verdadeira, este é um significativo passo no desenvolvimento do programa nuclear da Coreia, que já levou o Conselho de Segurança das Nações Unidas a convocar uma reunião de emergência. O Reino Unido, a França e Estados Unidos já consideraram que esta é uma "violação inaceitável" das resoluções da ONU, e até a China, o principal aliado da Coreia, disse que se "opõe firmemente" ao teste.

"O primeiro teste com bomba de hidrogénio da República foi realizado com sucesso às 10:00 [01:30 em Lisboa] do dia 06 de janeiro, 2016, baseado na determinação estratégica do Partido dos Trabalhadores", anunciou a televisão estatal norte-coreana.

"Com o sucesso total da nossa histórica bomba-H, juntámo-nos ao grupo dos Estados nucleares avançados", anunciou Pyongyang, acrescentando que o teste foi feito com um dispositivo "miniaturizado". O teste foi encomendado pessoalmente por Kim Jong-un e aconteceu dois dias antes do seu aniversário.

Vários centros de atividade sísmica detetaram o abalo na Coreia, levantando-se, de imediato, a possibilidade de ter sido causado por um teste nuclear. O Japão já informou não ter detetado radiação em qualquer um dos seus postos de monitorização.

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Apesar do anúncio "oficial" da Coreia do Norte, são vários os peritos consultados pela imprensa internacional que duvidam da capacidade de Pyongyang de testar uma bomba de hidrogénio: o impacto da detonação deveria ter sido muito maior do que aquele que foi registado.

A bomba de hidrogénio, ou termonuclear, usa a fusão nuclear numa reação em cadeia que resulta numa explosão poderosa. Citado pelo The Guardian, John Carlson, antigo líder do gabinete de não proliferação de armas nucleares australiano, refere que será difícil atestar a veracidade do teste nuclear até que sejam analisados os gases emitidos. "E esses gases podem levar dias a surgir, se surgirem", frisou. Além disso, Carlson duvida ainda que os norte-coreanos conseguissem desenvolver uma "versão miniaturizada" da bomba H, que seria ainda mais complexa. "Seriam mais convincentes se a bomba tivesse um tamanho maior".

O perito refere, no entanto, que é possível que tenha sido desenvolvida uma bomba em que o isótopo do hidrogénio tenha sido apenas parcialmente fundido, permitindo a Pyongyang afirmar que tem a bomba H. "Julgo que é possível que tenham feito isso e agora digam que fizeram mais", admite.

No mês passado, durante uma inspeção militar, Kim sugeriu que Pyongyang tinha já desenvolvido uma bomba de hidrogénio, apesar de o anúncio ter sido acolhido com ceticismo por especialistas internacionais. Segundo a BBC, este é o quarto teste desde 2006.

"O último teste, totalmente assente na nossa tecnologia e pessoal, confirmou que os nossos recursos tecnológicos, recentemente desenvolvidos, são precisos e demonstram cientificamente o impacto da nossa bomba-H miniaturizada", disse a apresentadora, que transmitiu a mensagem do regime.

A notícia foi avançada nos canais oficiais do regime

A realização efetiva do teste tem ainda de ser confirmada pela comunidade internacional.

Apesar de se comprometer a não ser o primeiro a recorrer à bomba, o regime de Pyongyang indicou que continuará a desenvolver as suas capacidades de ataque nuclear.

"Enquanto persistir a política anti-Coreia do Norte dos Estados Unidos não vamos parar de desenvolver o nosso programa nuclear", afirmou.

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