Corbyn recusa aliar-se ao SNP e rejeita novo referendo

O líder do Labour apresentou o seu plano de campanha perante uma plateia de 400 apoiantes

Trabalhistas têm metade das intenções de voto dos conservadores de Theresa May, que surgem com maioria absoluta folgada

"É uma grande honra apresentar o próximo primeiro-ministro do Reino Unido... Jeremy Corbyn!!!" Foi assim que ontem o líder dos Trabalhistas foi apresentado a 400 dos seus mais fieis seguidores antes de fazer o seu primeiro discurso da campanha para as eleições gerais antecipadas de 8 de junho. Esta declaração teve direito a 90 segundos de aplausos, mas a sondagem conhecida ontem, a primeira desde que a ida às urnas foi anunciada na terça-feira, mostra que o Labour não tem razões para celebrar.

Uma sondagem da YouGov feita para o The Times entre os dias 18 e 19, ou seja depois do anúncio das eleições antecipadas, mostra os conservadores da Theresa May com 48% das intenções de voto e os os trabalhistas com uns distantes 24%. Antes das legislativas de 2015, que os Tories venceram com maioria absoluta (36,9%), as sondagens davam os dois partidos com resultados muito semelhantes. Theresa May é também a preferida de 54% dos britânicos para liderar o governo, contra os 15% que apostam em Corbyn, refere a mesma sondagem, a qual refere que 31% não tem um preferido.

No discurso de ontem, Jeremy Corbyn apresentou-se como o candidato antissistema que ninguém dá como favorito, mas determinado a conquistar os "cartéis confortáveis" que comandam um "sistema manipulado" e impedem a distribuição justa da riqueza.

"Nós não cabemos no seu clube acolhedor. Nós não aceitamos que seja natural para o Reino Unido ser governado por uma elite, a City e os que fogem aos impostos, e não aceitamos que o povo britânico se limite a aceitar o que lhe é dado, que não merecem melhor", declarou o líder trabalhista.

Para mudar esta situação, Corbyn propõe impostos mais altos sobre os mais ricos e uma maior pressão sobre as empresas mais poderosas, adiantando que este será o tom da sua campanha.

Fora da sua campanha parece estar a possibilidade de uma "aliança progressista" - como foi definida na quarta-feira por Nicola Sturgeon, a líder do SNP - entre o Partido Nacional Escocês e os trabalhistas para manter os conservadores afastados do poder se a "matemática parlamentar" o permitisse. "Não haverá nenhum acordo de coligação entre o SNP e um governo labour", afirmou Corbyn. "O SNP pode falar à esquerda em Westminster, mas no governo da Escócia atua à direita", prosseguiu o líder trabalhista. "O SNP quer fragmentar o Reino Unido, não tem interesse em fazê-lo funcionar melhor. A independência levaria a uma austeridade galopante na Escócia, não a políticas progressistas", referiu ainda, encerrando este assunto.

Outro tema que Corbyn que já afastou foi a realização de um segundo referendo sobre o brexit, uma possibilidade que tinha ficado no ar na quarta-feira. "Um segundo referendo não faz parte da nossa política e não estará no nosso programa de campanha", garantiu ontem um porta-voz do líder trabalhista.

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