Chefe da Diplomacia de Trump diz que Rússia é um perigo

Ouvido pelo Senado, que terá de o confirmar como secretário de Estado, Rex Tillerson afirmou que Moscovo deve ser "responsabilizada pelas suas ações", considerou condenável intervenção russa na Ucrânia mas recusou classificar Vladimir Putin de "criminoso de guerra"

Rex Tillerson surpreendeu o Senado ao adotar um tom muito mais crítico com a Rússia do que aquele que tem sido regra em Donald Trump, o presidente eleito. O secretário de Estado não só condenou a intervenção da Rússia na Ucrânia, como defendeu que esta última, mesmo não sendo membro da NATO, deveria ter recebido armas para se defender. "A Rússia deverá ser responsabilizada pelas suas ações", afirmou o homem que Trump escolheu para chefiar a diplomacia americana a partir de 20 de janeiro.

Tillerson, que era o presidente da Exxon, tem fortes relações com a Rússia por causa dos investimentos petrolíferos e chegou a receber um prémio do presidente russo em 2013. Perante a Comissão de Relações Externas do Senado, admitiu que nunca teve uma conversa sólida com Trump sobre a política em relação à Rússia, o que surpreendeu os presentes. Alguns senadores republicanos mostraram uma especial agressividade nas perguntas, apesar de Tillerson poder vir a pertencer a uma Administração da sua cor partidária.

Marco Rubio, senador pela Florida e candidato derrotado nas primárias republicanas por Trump, destacou-se pelas perguntas incómodas, tentando levar Tillerson a concordar que Vladimir Putin seria "um criminoso de guerra" por causa dos bombardeamentos na Chechénia. Em resposta, Tillerson recusou usar essa expressão.

Tillerson, de 64 anos, mostrou ainda apoio à NATO e referiu a necessidade de dialogar sem complexos com a Rússia para que os Estados Unidos possam saber como lidar com a ambição de Moscovo de ter influência global. A sua experiência de décadas à frente de uma multinacional foi dada como garantia por Trump de que seria o homem certo para chefiar a diplomacia dos Estados Unidos.

Existem riscos de a Comissão bloquear a nomeação do secretário de Estado se algum republicano, como Rubio, decidir juntar-se aos democratas. Tillermann revelou conhecimento profundo dos grandes dossiês de política internacional, segundo o New York Times.

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