Bloomberg ou o candidato à Casa Branca que não se decide

Francisco e Michael Bloomberg em Nova Iorque, durante a visita papal de 2015

Dirigiu Nova Iorque 11 anos. É um empresário de sucesso e das pessoas mais ricas do seu país. Já foi dos republicanos e dos democratas. Agora pode ser presidente como independente

Esteve para acontecer em 2008 e em 2012. À terceira, será de vez? Michael Bloomberg, uma das dez pessoas mais ricas dos Estados Unidos, irá finalmente candidatar-se à Casa Branca? As notícias surgiram nos últimos dias, dando a entender que o antigo mayor de Nova Iorque, com três mandatos consecutivos entre 2002 e 2013, poderia apresentar-se como candidato independente.

Bloomberg, que fundou e dirige a agência de informação financeira com o seu nome, tem meios para ser candidato independente: é muito mais rico do que Donald Trump e tem uma experiência política superior. Na lista da revista Forbes, surge com uma fortuna de 35,6 mil milhões de dólares (bem à frente dos 4,5 mil milhões de Trump) e enquanto o magnata da indústria imobiliária não teve, até ao anúncio da sua candidatura pelo partido republicano à Casa Branca, ação política relevante, o mesmo não sucedeu com Bloomberg. Inicialmente um democrata, trocou este partido pelos republicanos ao candidatar-se à Câmara de Nova Iorque; ganhou o mandato seguinte, em 2005, ainda como republicano, mas foi como independente que se apresentou pela terceira vez, em 2009. É firme advogado de maior controlo da venda e posse de armas nos Estados Unidos. Economicamente, é um liberal, defensor do mercado livre, mas sustenta a necessidade de intervenção governamental na área social. Por outro lado, defende os direitos dos imigrantes ilegais, uniões entre pessoas do mesmo sexo, a liberalização do aborto e tem-se manifestado a favor de políticas ecológicas.

Bloomberg foi nomeado por Ban Ki-moon enviado especial do secretário-geral das Nações Unidas para as Cidades e Mudanças Climáticas e, no seguimento da Cimeira do Clima em Paris, assumiu a direção de um projeto orientado para a sensibilização dos setores industrial e financeiro para as questões do ambiente.

Nascido em Boston numa família judaica e a caminho de completar 74 anos, a 14 de fevereiro, Bloomberg é ainda conhecido por protagonizar diferentes projetos na área da filantropia, a maioria associados ao ambiente e ao desenvolvimento sustentável, mas também no capítulo da saúde, educação e artes.

As campanhas eleitorais são reconhecidamente dispendiosas, mas Bloomberg já mostrou não recear comprometer a sua fortuna, tendo gasto um total de 261 milhões de dólares nas três campanhas em Nova Iorque.

Se gastar dinheiro não é um obstáculo para o licenciado em Engenharia Mecânica pela Universidade Johns Hopkins, que começou a trabalhar, em 1973, como associado no banco de investimento Salomon Brothers, questão distinta é a de saber qual é o seu eleitorado.

Despedido anos depois daquele banco, foi com os dez milhões de dólares recebidos como indemnização que Bloomberg fundou a sua primeira empresa, na área da business intelligence.

Partindo com atraso substancial face a personalidades como a democrata Hillary Clinton ou o republicano Donald Trump (que continua à frente nas sondagens como o candidato favorito entre os republicanos), Bloomberg teria de optar por uma mensagem direcionada para o eleitorado de um dos favoritos ou, em alternativa, cultivar um discurso transversal e antissistema.

O primeiro cenário para Bloomberg é, pelo seu percurso de democrata a republicano e depois independente, talvez mais perigoso para um "nómada político", como o rotulava um texto da passada semana na Forbes. As suas posições no passado podem atrair eleitores de ambos os campos. Ou repeli-los mutuamente.

O exemplo de Ross Perot

A segunda linha de ação pode revelar-se eleitoralmente mais produtiva. Há disso um exemplo no passado recente: a candidatura independente do empresário Ross Perot, nas presidenciais de 1992. Tendo afirmado tardiamente a sua candidatura, nem por isso Perot deixou de subir nas sondagens ao ponto de, apesar de uma sucessão de afirmações contraditórias sobre se seria ou não candidato, ter chegado a estar à frente de George Bush (pai) e de Bill Clinton. No final, Perot obteve 18,9% (19,7 milhões de votos) e, segundo algumas análises na época, a sua presença contribuiu para a derrota do então presidente republicano, que não foi eleito para segundo mandato. A presidência ficaria para Clinton.

A dúvida é se Bloomberg, como bom investidor que sempre foi, decide arriscar num cenário em que, previsivelmente, terá pela frente Donald Trump e Hillary Clinton (e, como Perot, pode determinar a vitória ou a derrota de um deles), ou permanece impassível.

Bloomberg é casado em segundas núpcias e tem duas filhas do primeiro casamento.

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