Bill Clinton: Hillary usa "arma não muito secreta" contra Sanders

Se Hillary for eleita presidente, Bill Clinton regressaria à Casa Branca no papel de “primeiro marido” (first husband)

Ex-presidente acusa o senador do Vermont de "hipocrisia" e "ataques sexistas". Sondagens dão larga vantagem a Sanders nas primárias de hoje no New Hampshire

Em finais de 2015, Hillary Clinton deixava o alerta: em janeiro ia usar a sua "arma não muito secreta" para fazer campanha no New Hampshire. Afinal foi preciso esperar até fevereiro para que a ex-primeira-dama, confrontada com uma vitória por curtíssima margem no Iowa e com as sondagens a dá-la 16 pontos atrás de Bernie Sanders nas primárias de hoje, se decidisse a pôr Bill Clinton em campo. E, fiel à reputação de máquina política, o ex-presidente não poupou o rival da mulher, acusando o senador democrata do Vermont e seus apoiantes de "hipocrisia" e "ataques sexistas".

Diante de umas centenas de apoiantes reunidos num ginásio de Milford, no New Hampshire, Bill Clinton garantiu: "Quando se está a fazer uma revolução não se pode ser muito cuidadoso nos factos." O ex-presidente referia-se aos apelos de Sanders para uma revolução política. Mas, à medida que o tempo ia passando, o seu discurso ia ficando mais agressivo. Ao longo dos 50 minutos que esteve em palco, comparou o acesso, em 2015, da equipa de campanha de Sanders aos dados dos apoiantes de Hillary a roubar um automóvel com a chave na ignição. O homem que quer voltar à Casa Branca no papel de "primeiro marido" (first gentleman) acusou ainda os apoiantes do senador de ataques sexistas a bloggers e jornalistas que apoiam Hillary.

Esta escala verbal por parte dos Clinton revela bem a "frustração" do casal, como escrevia ontem o New York Times. Bill, sobretudo, parece incrédulo que o New Hampshire que em 1992 fez dele o comeback kid, lançando a sua campanha até à presidência depois de se ter ficado pelos 2,8% dos votos no Iowa, esteja agora a desprezar a sua mulher. E, se dúvidas houvesse sobre a falta de entusiasmo em torno da campanha de Hillary, bastaria olhar para a intervenção de Bill em Milford. Sem aparato de segurança, nem multidões exultantes, o ex-presidente discursou num ginásio onde eram muitos os lugares vazios e apenas uma mão-cheia os jornalistas. No domingo, a dois dias das próximas primárias, Hillary estava ausente do New Hampshire, tendo antes decidido ir a Flint, a cidade do Michigan onde a água contaminada se tornou um caso de saúde pública. Uma opção que a campanha do adversário se apressou a apontar como sinal de que a ex-secretária de Estado já se deu por vencida e está a apostar tudo na Carolina do Sul, que vai às urnas no dia 20 e onde deve beneficiar do voto da comunidade negra.

Muito popular entre os americanos, Bill Clinton manteve-se até agora discreto na campanha de Hillary. É que se o ex-presidente pode ser um trunfo, em 2008 acabou por se revelar uma fraqueza, quando os seus ataques mais pessoais contra Barack Obama se viraram contra a ex-primeira-dama. Resta saber se desta vez as críticas a Sanders terão o mesmo efeito.

O lado humano de Trump

Do lado republicano e depois do segundo lugar no Iowa, Donald Trump está agora empenhado em conquistar o eleitorado do New Hampshire. Para isso esteve em Plymouth, onde prometeu baixar o preço dos medicamentos, melhorar a educação e ajudar os toxicodependentes a receber tratamento. Sem abandonar totalmente a retórica incendiária que o caracteriza, nos últimos dias o magnata tem mostrado o seu lado mais humano, falando mesmo do irmão que perdeu em 1981 devido ao alcoolismo.

Derrotado pelos senador do Texas Ted Cruz nos caucus de dia 1, Trump surge agora com larga vantagem nas sondagens no New Hampshire. Já a disputa pelo segundo lugar está acesa, com Cruz, o senador da Florida Marco Rubio, o governador do Ohio, John Kasich, e o ex-governador da Florida Jeb Bush praticamente empatados. Rubio foi a grande surpresa no Iowa ao ficar em terceiro, pouco atrás de Trump, mas a má prestação no debate de sábado deixou-o numa situação precária, vendo-se obrigado a um bom resultado depois de os adversários terem denunciado a sua falta de experiência.

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