Após sentença, infanta Cristina muda-se para Portugal

Marido, Iñaki Urdangarin, foi hoje condenado a seis anos e três meses de prisão por fraude e desvio de dinheiros públicos.

A Justiça espanhola condenou hoje Iñaki Urdangarin, cunhado do rei de Espanha e marido da infanta Cristina, a seis anos e três meses de prisão por fraude e desvio de dinheiros públicos, no âmbito do caso Nóos. Depois disso, avança hoje o jornal El País, a infanta, que foi absolvida no mesmo processo, muda-se para Portugal.

De acordo com esta publicação, há muito que está decidido que mal termine o ano letivo, a infanta Cristina e os quatros filhos deixarão Genebra, na Suíça, e rumarão a Portugal. Uma hipótese que já havia sido avançada no ano passado, pelo El Confidencial, e que estava relacionada com o facto de a Fundação Aga Khan, para a qual a infanta Cristina poderá trabalhar, ter comprado o Palácio Henrique Mendonça, no bairro da lapa, Lisboa. O príncipe ismaili, que esteve em Portugal no início de maio, é um velho amigo do rei espanhol emérito Juan Carlos, pai da infanta.

Com esta mudança, a infanta poderá estar mais perto do marido, Iñaki Urdangarin.

Nos últimos três anos, a família tem vivido em Genebra, Suíça, depois de ter vivido em Washington, EUA, quando o escândalo do caso Nóos rebentou, e de ter permanecido depois por um ano em Barcelona, Espanha.

Ao todo foram hoje conhecidas as sentenças de 17 suspeitos, depois de começarem a ser julgados em janeiro do ano passado num caso que envolve negócios feitos pelo Instituto Nóos, uma organização sem fins lucrativos, com sede em Palma de Maiorca, que Iñaki Urdangarin, cunhado do rei Felipe VI, fundou e presidiu entre 2004 e 2006.

A decisão do juiz é conhecida 11 anos depois do início do caso, quando um deputado socialista pediu explicações pelos custos elevados de um fórum sobre turismo e desporto organizado por Iñaki Urdangarin para o Governo regional das Ilhas Baleares.

Urdangarin era acusado de ter utilizado as suas ligações à família real para ganhar concursos públicos para organizar, entre outros, eventos desportivos, tendo em seguida desviado fundos para a Aizoon, uma empresa que ele geria em conjunto com a infanta Cristina e utilizava para financiar o seu estilo de vida luxuoso.

O Ministério Público anticorrupção pediu em junho de 2016 uma pena de prisão de 19 anos e meio e uma multa de 980.000 euros para Iñaki Urdangarin e uma pena de prisão de 16,5 anos para o seu sócio, Diego Torres, que também é acusado de peculato.

Desde o início do caso, a acusação recusou a apresentação de uma queixa contra a infanta Cristina de Borbón, que juntamente com o marido também se suspeita que tenha utilizado a Aizoon para realizar despesas pessoais, incluindo obras numa mansão em Barcelona, o que permitiu reduzir lucros tributáveis da empresa.

Entretanto, uma organização chamada "Mãos Limpas" levou a tribunal o caso da alegada evasão fiscal da princesa, visto que a lei espanhola permite que grupos privados possam iniciar este tipo de processos penais.

Durante o julgamento, a infanta negou ter conhecimento das atividades do marido.

Este caso de corrupção que envolve a irmã do rei tem sido seguido com grande interesse em Espanha e no estrangeiro, tendo manchado a reputação da monarquia e contribuído para a abdicação do rei Juan Carlos, em junho de 2014, a favor do filho.

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