União para Mudança quer maior intervenção de Cabo Verde para resolver crise na Guiné-Bissau

O partido União para Mudança (UM) quer uma maior intervenção de Cabo Verde para ajudar a resolver a crise na Guiné-Bissau, numa altura que considera a situação está-se a tornar "cada mais insustentável", com risco de "implosão social".

"Pensamos que Cabo Verde pode desempenhar um papel importante em todo este processo, sobretudo porque no próximo ano assumirá a presidência da CPLP e em simultâneo a da CEDEAO. Portanto, seria uma ocasião de ouro para o papel que Cabo Verde poderia desempenhar", apontou Agnelo Regala, líder da União para a Mudança.

O dirigente partidário falava à Agência Lusa, na cidade da Praia, onde até domingo vai manter contactos com personalidades e autoridades cabo-verdianas para dar a conhecer o seu ponto de vista sobre a situação política na Guiné-Bissau.

Segundo Agnelo Regala, Cabo Verde poderá desempenhar um papel mais atuante no processo, ajudando a encontrar soluções para a crise, a enfrentar riscos na sub-região, como os fundamentalismos e instabilidade, e ainda e a aplicar o Acordo de Conacri.

Este acordo, patrocinado pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), prevê a formação de um governo consensual integrado por todos os partidos representados no parlamento e a nomeação de um primeiro-ministro de consenso e de confiança do chefe de Estado, entre outros pontos.

A nível intrapartidário na Guiné-Bissau, Agnelo Regala disse que a UM faz parte dos partidos democráticos que têm vindo a lutar para a aplicação do Acordo de Conacri, considerando que é o "quadro mais plausível para saída da crise".

Regala disse que a situação no país está-se a tornar "cada vez mais insustentável", porque há uma crise social derivada da degradação das condições de vida da população.

"Pelo que isso aponta para riscos de implosão social, porque a população começa a viver momentos de dificuldade", apontou, não descartando a possibilidade de realização de manifestações no país, apesar de considerar que o poder está a "tentar amordaçar a imprensa".

"Um sinal muito claro foi o encerramento das emissões da RDP e RTP África", apontou.

Dos contactos que já efetuou em Cabo Verde, Agnelo Regala indicou que encontrou uma "atenção particular" à situação da Guiné-Bissau, não só das autoridades, mas também de muitos os cidadãos comuns.

"Mas sentimos também uma vontade e disponibilidade muito grandes da parte de Cabo Verde em contribuir para a estabilidade e a paz na Guiné-Bissau", reforçou o líder partidário, que está em Cabo Verde acompanhado por João Ferreira, único deputado do partido no Parlamento.

Em Cabo Verde, os dirigentes da UM já realizaram contactos com vários dirigentes políticos e personalidades, entre elas o ex-Presidente da República e comandante Pedro Pires, o ex-primeiro-ministro José Maria Neves, o ministro dos Negócios Estrageiros, Luís Filipe Tavares, e o presidente do Tribunal de Contas.

Até domingo, esperam manter encontros com o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, e com o ministro da presidência do Conselho de Ministros, Fernando Elísio Freire.

Também pretendem contactar os guineenses residentes em Cabo Verde, para saber da sua vivência e estudar com eles que medidas tomar para influenciar as entidades locais para ultrapassar o impasse político que o país vive há dois anos.

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