Timor-Leste: Livro recorda luta desconhecida da comunidade portuguesa nos EUA pela libertação

O ativista João Crisóstomo publicou este mês o livro "LAMETA - o desconhecido contributo das comunidades portuguesas para a Independência de Timor-Leste", que conta a história do envolvimento dos portugueses nos EUA para a independência do país.

O livro recebe o nome da Luso-American Movement for East Timor Autodetermination (LAMETA), o movimento que João Crisóstomo fundou em fevereiro de 1996 para sensibilizar a opinião pública e os líderes políticos dos EUA para a questão da independência de Timor Leste.

"A LAMETA foi fundada assim que me apercebi que o problema de Timor-Leste era um caso de caráter e âmbito internacional, e que era importante o envolvimento das comunidades portuguesas, especialmente nos Estados Unidos", lembra o ativista em declarações à Lusa.

João Crisóstomo diz que "apesar de na altura ter sido largamente noticiado o papel das comunidades portuguesas, essa história parece ter caído no quase completo esquecimento" e que por isso escreveu o livro.

A decisão foi tomada depois de conhecer o primeiro-ministro de Timor Leste, Rui Maria de Araújo, que admitiu não conhecer o trabalho do LAMETA e lhe pediu para avançar com o projeto por entender "ser parte importante da história do país e merecer um lugar no Arquivo e Museu da Resistência Timorense (AMRT)".

O padre Vítor Melícias, ex-Comissário Nacional para o Apoio à Transição em Timor-Leste, também apoiou a ideia e João Crisóstomo começou a colocar por escrito os seis anos de luta em que a sua organização liderou inúmeros protestos e manifestações, em Washington e junto da sede da ONU, e contactou centenas de políticos e jornalistas.

"Um dos objetivos era informar e sensibilizar o público americano sobre o problema, levando os 'media' americanos - e não só - a debruçarem-se sobre o caso com objetividade, ao contrário do que sucedia até então, em que os interesses e a amizade de muitos com a Indonésia eram mais importantes do que o destino do povo de Timor", recorda.

No livro, encontram-se recortes e descrições de notícias e reportagens que mencionam a organização, publicadas em importantes meios como a CNN, e também as cartas de inúmeros políticos americanos.

"As várias cartas recebidas do Congresso, da administração [Clinton] e da ONU provam a eficiência e resultados obtidos", diz João Crisóstomo, que lembra a aprovação por unanimidade da resolução 237, cuja introdução e apresentação foi promovida pela LAMETA.

Ao longo dos anos, a organização estendeu o seu trabalho além dos EUA e no livro são lembrados os contactos que teve com líderes como o Presidente da África do Sul, Nelson Mandela, o líder judaico Elie Wiesel, o cardeal Renato Martino e os presidentes Suharto e Habibie, da Indonésia.

"Nem eu nem as comunidades luso-americanas temos o propósito ridículo de pretender que foi este movimento que mudou o curso da história, mas seria fingida modéstia diminuir o que se fez. A verdade é que o seu papel não foi insignificante e corria o risco de ser completamente ignorado e esquecido", explica João Crisóstomo.

A convite do governo de Timor-Leste, o ativista participa este sábado na comemoração do 15.º aniversário da independência do território, durante a qual oferecerá o livro e toda a documentação na qual ele se baseia às autoridades do país.

Numa carta para João Crisóstomo, o primeiro-ministro de Timor-Leste agradeceu "o apoio incansável" da LAMETA.

"Valeu-nos, também, o apoio incansável dos nossos irmãos que não deixaram desvanecer a causa da nossa luta junto da comunidade e da comunidade internacional nos países onde se encontravam", escreve Rui Maria de Araújo.

"No momento em que folheei a publicação, voltei a recordar, embora nunca o tenha esquecido, os momentos que passamos para nos tornar o povo e o país livre e independente que tanto nos orgulha", acrescenta o primeiro-ministro timorense.

João Crisóstomo foi também recebido este mês pelo Presidente da República portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, a quem ofereceu o livro, como fez com o primeiro-ministro António Costa.

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