Timor-Leste: 15 anos depois muitos dos protagonistas continuam mas noutros cargos

Quinze anos depois da restauração da independência de Timor-Leste, vários dos protagonistas desse histórico "20 de maio" estarão novamente nos principais lugares de honra ainda que, quase todos, tenham trocado de funções desde então.

Francisco Guterres Lu-Olo, que em 2012 como presidente do Parlamento Nacional proclamou a restauração da independência, toma posse na madrugada de sábado como Presidente da República, cargo para que foi eleito em março passado na sua terceira tentativa.

O seu antecessor, que termina o mandato à meia-noite de sábado, Taur Matan Ruak, era na altura das históricas comemorações o primeiro chefe de Estado Maior General das Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL), estrutura quer herdou muitos dos antigos guerrilheiros do braço armado da resistência.

Xanana Gusmão, figura incontornável da história de Timor-Leste, é outro dos "repetentes", sendo que, na prática, foi dos mais versáteis em termos de funções exercidas desde então.

De Presidente da República em 2002 - o primeiro depois da restauração e o terceiro desde a proclamação de 1975 - Xanana Gusmão passou a primeiro-ministro em 2012 e, em 2015, a ministro do Planeamento e Investimento Estratégico.

Até o presidente do Parlamento Nacional, Adérito Hugo da Costa - que vai liderar a sessão solene que dará posse a Lu-Olo - estava há 15 anos em Tasi Tolu, arredores de Díli e onde decorreu a cerimónia de restauração da independência, na altura no entanto enquanto jornalista do Timor Post, o primeiro jornal a nascer depois da independência.

Mari Alkatiri, primeiro-ministro em 2002, é hoje presidente da Região Autónoma Especial de Oecusse-Ambeno, continuando, como então, a ser secretário-geral da Fretilin, que na altura governava sozinha e que agora apoia o Governo liderado pelo CNRT, de Xanana Gusmão, mas cujo primeiro-ministro é Rui Araújo, membro da Fretilin.

Rui Araújo que na altura estava em Tasi Tolu como ministro da Saúde do primeiro Governo, é hoje chefe do executivo onde se repete Estanislau da Silva que regressou ao governo em 2015, retomando as pastas que teve no primeiro Governo (Agricultura, Pescas e Florestas), somando-lhe agora a coordenação de Assuntos Económicos.

Basílio do Nascimento permanece, como então, bispo de Baucau, a segunda cidade timorense, mas com a independência - e a criação de uma terceira diocese, em Maliana - assume também o cargo de presidente da Conferência Episcopal timorense.

O único dos principais líderes timorenses que estará presente mas, formalmente, não tem cargo em Timor-Leste é José Ramos-Horta, na altura ministro dos Negócios Estrangeiros (seria mais tarde Presidente da República) e que agora é um "civil", ainda que com vários cargos internacionais.

Em termos internacionais, uma das figuras que estará novamente em Tasi Tolu é Peter Cosgrove que em 1999 liderou a força internacional Interfet e que agora, Governador-geral australiano, será no sábado o único chefe de Estado a acompanhar a tomada de posse de Lu-Olo.

António Guterres, que na altura estava presente como primeiro-ministro português, é hoje secretário-geral da ONU e em seu nome estará em Díli a sua chefe de gabinete, Maria Luísa Ribeiro Viotti.

Duas cerimónias a 15 anos de distância em que muitos dos nomes se repetem.

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