por Marina Marques, Rui Marques Simões, Rui Pedro Antunes, Sílvia Freches e Sónia Simões
A dissertação de Jorge Gregório foi aceite em 2009 pelo então diretor do curso, Fernando Santos Neves, o mesmo que assinou as equivalências do ministro. O advogado e professor da casa já tinha tentado entregar a tese na Universidade Portucalense, mas esta foi recusada. Agora a Lusófona retirou-lhe o grau por suspeita de plágio
O ex-subdiretor do Instituto Superior de Ciências da Administração (ISCAD) do Grupo Lusófona, Jorge Gregório, perdeu o grau de doutor em Ciência Política por plágio, depois de o DN ter pedido àquela instituição apontamentos do júri sobre a tese. O trabalho científico, depositado na Biblioteca Nacional e dedicado ao presidente do Conselho de Administração daquele grupo, Manuel Damásio, foi recusado pela Universidade Portucalense em 2009. Mas aceite, nesse ano, pelo diretor do doutoramento, Fernando Santos Neves - o mesmo professor que assinou o processo de creditação do ministro Miguel Relvas.
A informação foi confirmada pela Universidade na sequência de um outro pedido do DN, feito a 29 de outubro, sobre a tese depositada em 2010 na Biblioteca Nacional com o título Terrorismo de Estado e Violação dos Direitos Humanos, de Jorge Gregório.
"No que se refere à existência da referida tese (...) só pode ser um lapso na medida em que o grau equivalente à defesa da referida dissertação nunca foi concluído na nossa instituição", diz a nota da Lusófona, enviada no último domingo, que enumera três razões possíveis: "A tese ter sido submetida mas não defendida; tese defendida mas não aprovada pelo júri; tese defendida e aprovada pelo júri mas não reconhecida nem validada pelos órgãos máximos da Universidade." Este último ponto - que o DN apurou ter-se verificado - "pode ter várias origens, desde a deteção de plágio ao não cumprimento das obrigações curriculares por parte do eventual candidato", explica a reitoria.
O DN insistiu, uma vez que o autor da tese estava mencionado na página da Internet da Universidade como sendo subdiretor do ISCAD, professor e doutorado por aquela instituição em Ciência Política.
E a Lusófona justificou o procedimento com o facto de aquele curso não ter sido acreditado pela agência A3ES - o que acontece desde o ano letivo passado. "O senhor reitor produziu no início de setembro um despacho no sentido de se proceder à verificação, pelo gabinete de gestão da qualidade, da idoneidade e integridade dos trabalhos de doutoramento que foram até à data submetidos à Faculdade de Ciência Política e Relações Internacionais", diz. Mais: verificaram-se "irregularidades insanáveis que conduziram à cassação do título de doutor a Jorge Gregório e à cessação imediata das funções que vinha desempenhando, o que foi aceite e reconhecido pelo próprio". Mesmo assim, o DN sabe que Gregório, até sexta-feira, ainda deu aulas naquela universidade.
LEIA AQUI A OPINIÃO DO DIRETOR DO DN, JOÃO MARCELINO
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