por Ana Pago
O leque de imagens em carteira era grande, mas Nuno Sá acabou por eleger 36 fotografias de gigantes marinhos para a exposição 'Um Oásis no Atlântico', que inaugura hoje no exterior do Oceanário de Lisboa. Segredos do mar dos Açores na rua até 19 de agosto. A entrada é livre
Sabia que o tubarão-baleia é o maior peixe do mundo e nada nos mares do México, da Austrália e... dos Açores? E que cinco das sete espécies de tartarugas marinhas existentes podem ser vistas no arquipélago? E que os Açores são visitados por um terço das espécies de cetáceos a nível mundial, incluindo a baleia-azul? Há todo um santuário que surpreende o fotógrafo subaquático Nuno Sá sempre que mergulha nas ilhas, fascinado como da primeira vez pelas espécies raras que fazem da região um nicho privilegiado de biodiversidade a nível mundial. Tanta é a atração, que acabou a montar a exposição de fotografias de grande formato "Um Oásis no Atlântico", inaugurada hoje no exterior do Oceanário de Lisboa.
Nascido em 1977 no Canadá, Nuno Sá tinha 11 anos quando se mudou com a família para Portugal. Tirou o curso de Direito na Universidade Católica de Lisboa, terminando-o em 2001 já a saber que queria uma vida ligada ao mar. Um ano mais tarde partiu para São Miguel, entrou no curso de Biologia Marinha na Universidade dos Açores e empregou-se numa empresa de cetáceos. Fotografava baleias e golfinhos, mas apenas para mandar as imagens para a família, no Continente. Quando em 2008 se tornou o primeiro e único português nomeado no maior concurso internacional de natureza, o Wildlife Photographer of the Year, com uma imagem de orcas ao pôr do Sol, pôde finalmente dedicar-se a tempo inteiro à vida na natureza, ele que já fotografava como profissional desde 2004, mas dividia o tempo com a fotografia turística numa editora para ganhar a vida.
"Para fotografar os tubarões-baleia fiquei cerca de uma semana a procurá-los em alto-mar. Foi único quando finalmente consegui estar na água com um animal de 12 metros, pacífico, com o azul do mar por baixo", recorda Nuno Sá, cuja fotografia é um hino à preservação marinha. No seu caso, conforme a vê, é ainda uma arma em constante afinação para transmitir a mensagem de que o mar é o nosso futuro.
O fotógrafo pensou primeiro nos Açores para expor "Um Oásis no Atlântico". Gostava que os açorianos valorizassem a sua vida marinha, conhecessem o potencial do lugar onde vivem. Mas uma reunião no Oceanário de Lisboa fê-lo perceber que havia entusiasmo pelo projeto. Nasceu aí esta mostra, patente ao público até 19 de agosto e disponível depois durante dois anos para circuito itinerante, nos Açores e além-fronteiras.
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