por DAVID DINIS
Primeiro-ministro acusa Passos de esconder propostas por recear sondagens. Orçamento "sem ultimatos".
É um finca-pé, sem solução à vista - mas com porta aberta para negociar. José Sócrates usou ontem a rentrée socialista para deixar claro a Passos Coelho que não aceita a precondição que este colocou à viabilização do próximo Orçamento do Estado: um recuo do Governo nos cortes anunciados às deduções fiscais. "Essas deduções são tanto maiores quanto maior o rendimento que possuem", disse o primeiro-ministro, concluindo que se trata de uma "injustiça do sistema fiscal que o Governo quer corrigir", para além de um "compromisso do País" com Bruxelas (via Programa de Estabilidade).
Mantendo o braço-de-ferro (falou mesmo em "controlo da despesa" quando o PSD exige "redução"), ficou porém uma porta aberta para negociar (desde que não "nos jornais", ou seja, com declarações na praça pública). E Sócrates teve um cuidado extra: nunca foi específico sobre se aceita ou não aplicar os cortes nas deduções apenas aos mais ricos - uma porta que ficou aberta ontem, uma vez mais, na entrevista de Passos Coelho ao Expresso, apesar de ter sido fechada pelo mesmo Passos, um dia antes, no jornal Sol.
Quanto ao Orçamento, Sócrates vincou várias vezes a palavra "responsabilidade", para recusar "ameaças de crise política". Se o PSD quiser chumbar o OE, deixou claro, "terá de assumir a responsabilidade política" por colocar em causa a governabilidade. Já antes, num discurso no palco de Matosinhos, o líder parlamentar Francisco Assis tinha vincado o mesmo, dizendo que o PS não aceita "ultimatos" na negociação - mas, claro, que aceita negociar por não ter maioria absoluta.
Revisão escondida
Onde o discurso de Sócrates foi mais forte foi, porém, na diferenciação política com o PSD. Mote? Obviamente, a proposta de revisão constitucional. Método: acusando Passos de "esconder" as suas propostas ("liberalizar o despedimento, fim do SNS tendencialmente gratuito, fim da obrigatoriedade do Estado em manter uma rede escolar), devido "à queda nas sondagens" após a divulgação das linhas gerais. Ficou, claro, o desafio de quem acredita que esse é o seu maior trunfo eleitoral: "Não fugirão do debate. E não é aceitável esconder agendas ideológicas só porque não trazem boas sondagens."
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Humberto
a culpa é nossa nós é que os elegemos ...
há 478 dias, 1 hora e 6 minutos
Só Verdades
O verdadeiro palhaço político ...
há 487 dias, 5 horas e 32 minutos
Manuel
Venha o FMI e ponha estes filhos ...
há 487 dias, 22 horas e 47 minutos
Jorge Ramos
em ameaças ???? Então o que é ...
há 488 dias, 15 horas e 3 minutos
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